O Balé do Teatro Castro Alves vai apresentar o espetáculo “Engenho” na reinauguração do Teatro Municipal de Ilhéus, na próxima sexta (03), às 21 horas, e no sábado (04), às 20 horas, com entrada franca.
A montagem é uma coreografia do alemão Felix Ruckert, conta com 21 dançarinos no palco e tem a cenografia é assinada pelo artista plástico J. Cunha. Segundo Ruckert, o espetáculo é inspirado no açúcar, no passado colonial do Brasil e seus sintomas contemporâneos. Está dividido em três partes intituladas A Viagem, O Engenho e A Morte.
A trilha sonora de “Engenho” foi produzida em colaboração com o músico e DJ baiano Boeing e mescla música eletrônica minimalista e canções de famosas cantoras brasileiras, a exemplo de Marisa Monte, Bebel Gilberto e Vanessa da Matta.
Castro Alves
Para desenvolver seu trabalho, o coreógrafo inspirou-se em pelo menos dois escritos relevantes sobre o tema: o famoso poema Navio Negreiro, de Castro Alves (1847-1871) que descreve; “Presa nos elos de uma só cadeia, a multidão faminta cambaleia e chora e dança, ali! Um de raiva delira, outro enlouquece, outro, que de martírios embrutece, cantando, geme e ri!”.
Por sua vez, vem do jornalista e escritor suíço Al Imfeld (1935), especialista em temas africanos, a constatação de que “o açúcar é uma pedra no sapato da política de saúde, um garoto-problema do sistema de mercado. O açúcar é um explosivo político. O açúcar é um produto que abala, agride e dissolve sistemas e conseqüentemente é, por natureza, um produto da discórdia”.
Trabalho e resistência
A concepção do espetáculo, com cerca de uma hora e meia de duração, é dividida em três partes: Na primeira, “Viagem”, o interesse concentra-se nos temas perda, dissolução, mistura e fragmentação. As estruturas temporais e espaciais são apagadas e destruídas em um turbilhão contínuo de ruído e movimento. A segunda parte, "O Engenho", aborda os temas produção, trabalho e resistência. Monotonia, repetição, esgotamento e arbitrariedade também são elementos da história. A terceira e última, intitulada “Morte”, trata do fenômeno da morte e do medo dela. Descreve estratégias de esperança e de tentativas de fuga.
A companhia de dança contemporânea foi criada em 1981, pelo Governo do Estado, e é mantida pela Secretaria de Cultura através da Fundação Cultural do Estado da Bahia (Funceb). A montagem de “Engenho” é resultado de uma parceria com o Instituto Cultural Brasil-Alemanha/ Goethe Institute.