Chegar em primeiro lugar na Travessia dos Fortes, uma das mais importantes provas de maratonas aquáticas do país, realizada na praia de Copacabana, no Rio de Janeiro, foi uma promessa do nadador baiano Allan do Carmo, 19 anos. Com o apoio do Faz Atleta, programa de incentivo do Governo do Estado, no último domingo (5), ele, que ocupa atualmente o 4º lugar no ranking mundial de travessias, desbancou o atual pentacampeão da prova, Luís de Lima, e cumpriu sua promessa.
“Promessa dada, promessa cumprida. Agora o que eu tenho que fazer é comemorar e ter mais objetivos para o futuro”, disse Allan, que participou pela terceira vez da travessia. Ao desembarcar no Aeroporto Luís Eduardo Magalhães, em Salvador, ele contou que, desde que começou a competir, o apoio do Governo do Estado é importante para que alcance conquistas como este troféu que acaba de ganhar. “O atleta não vive só de treino, ele precisa ter uma boa estrutura para desenvolver seu talento e seu trabalho”.
O pai de Allan, Walmir do Carmo, disse que a família, sem apoio, não teria condições de fazer o campeão. “É caro, passagens, hospedagens, alimentação, médicos e nutricionistas. Não tem como um assalariado manter um atleta do nível de Allan. É preciso apoio e a conquista é de todos”, afirmou.
Em 2008, a BahiaGás investiu R$ 1,7 milhão em 17 projetos sociais, culturais e esportivos. Somente Allan recebeu R$ 70 mil, por meio do Faz Atleta, e outros R$ 20 mil para que participasse das olimpíadas de Pequim. A para-atleta e nadadora Verônica de Almeida também recebeu R$ 21 mil pelo Faz Atleta e a judoca Maira Almeida contou com R$ 7,5 mil de auxílio para continuar praticando seu esporte.
Para-atleta
Na Travessia dos Fortes, os para-atletas não ficaram atrás. Com o apoio da Superintendência de Desportos da Bahia (Sudesb), Mônica Veloso, 50 anos, nadadora e presidente da Associação Baiana de Atletas Deficientes (ABAD) também chegou em primeiro lugar na categoria Portadores de Necessidades Especiais (PNE). A ABAD conta hoje com 22 atletas, sendo 15 nadadores, cinco no atletismo e dois halterofilistas. Ela conta que a Sudesb sempre apóia a associação, fornecendo as passagens para a participação nas competições.
Segundo Mônica, se não houver a garantia de que poderão competir, os para-atletas perdem a motivação. “Na Bahia temos atletas em condições para ir longe. É preciso ter este incentivo desde a base, para que possamos treinar”, afirmou.
Mônica começou a nadar por recomendação médica. Ela teve Poliomielite aos dois anos de idade e somente depois dos 30 começou a competir. Atualmente, é recordista mundial dos 1500 metros nado livre, recordista americana dos 800 metros nado livre, recordista brasileira dos 100 metros peito e dos 200 metros medley, especialista em maratonas aquáticas e acumula 114 travessias em mar aberto.
Do último mundial em Berlim, Alemanha, trouxe duas medalhas de ouro e uma de prata nas provas de 100 metros peito, 200 medley e 400 metros livre, na categoria máster paraolímipico. É a única maratonista no mundo a possuir esta marca.
Nova Lei do Esporte
Para incentivar ainda mais o aparecimento de campeões como Allan e Mônica, em janeiro, o governador Jaques Wagner sancionou a Lei 11.363/2009, que institui o Programa Estadual para Apoio à Prática do Esporte.
A nova lei prevê uma bolsa-auxílio batizada de Bolsa Esporte, estabelecendo um benefício de até R$ 2 mil por mês para atletas e para-atletas baianos. Para pleitear o apoio, eles terão que apresentar um plano anual de participação em competições e de treinamento.
Para receber o auxílio, é necessário que o atleta também não tenha sofrido penalidade imposta por tribunais de Justiça Desportiva, federações ou confederações das modalidades correspondentes nos últimos dois anos.