Um total de 310 portadores de obesidade mórbida, que tinha acompanhamento especializado nos ambulatórios do Centro de Diabetes e Endocrinologia da Bahia (Cedeba) e do Hospital Universitário Professor Edgar Santos (Hupes), foi beneficiado pelo mutirão de cirurgia bariátrica, desencadeado em outubro do ano passado pela Secretaria da Saúde do Estado, com a finalidade de zerar a fila de pacientes com indicação para esse tipo de cirurgia.
A dona de casa Sumaia Moreira Vasconcelos foi uma das primeiras contempladas com a cirurgia, realizada em novembro de 2008, depois de quatro anos de espera. Seis meses após a cirurgia, com menos 32 quilos, Sumaia Vasconcelos revela que ainda tem um longo caminho a percorrer - ela pesava 134 quilos antes da cirurgia - mas garante que “a disposição para viver já é bem maior”.
Lançado pelo secretário estadual da Saúde, Jorge Solla, em setembro de 2008, o mutirão de cirurgias de média e alta complexidade, que incluiu as cirurgias bariátricas, objetivava atender, num período entre 120 e 180 dias, aproximadamente dois mil pacientes internados em hospitais da rede estadual ou acompanhados em ambulatórios de endocrinologia, cardiologia e neurologia.
Para viabilizar a realização das cirurgias bariátricas, a Sesab firmou parceria com os hospitais da Cidade, Espanhol e de Salvador, sendo que, este último, por motivos técnicos, realizou apenas dois procedimentos cirúrgicos.
Coube ao Cedeba, referência na rede estadual de saúde nas áreas de endocrinologia, diabetes e hipertensão arterial, fazer a triagem e o encaminhamento dos pacientes para o mutirão de cirurgia bariátrica, que possibilitou atender pacientes portadores de obesidade mórbida que estavam na lista de espera entre quatro e oito anos.
Critérios
Utilizando os critérios do Ministério da Saúde, Associação Brasileira para Estudo da Obesidade e Conselho Federal de Medicina, o Cedeba selecionou os pacientes para a cirurgia bariátrica de uma lista de espera enviada pelo Hupes, com 249 pacientes e mais a relação do próprio Cedeba, com 286 pacientes acompanhados desde 2004 até setembro de 2008.
Do total de pacientes do Cedeba, 38 desistiram ou não retornaram ao centro, 32 tiveram alguma contraindicação, 11 foram operados por convênios privados, quatro estavam grávidas e 45 não puderam ser contactados. “Desse modo, 130 pacientes foram excluídos do mutirão e os 156 restantes foram encaminhados para a cirurgia”, explica a coordenadora do mutirão e responsável pelo Núcleo de Obesidade do Cedeba, Teresa Arruti Rey.
A endocrinologista acrescenta que foi feita a revisão de uma relação de pacientes cadastrados em 2006, selecionando mais 77 pacientes que se encontravam na triagem desde outubro do ano passado, na expectativa de fazer a cirurgia, e preenchiam os critérios técnicos.Ela informa que “estes pacientes foram avaliados e encaminhados para realizar o procedimento cirúrgico, ampliando para 233 o número de pacientes do Cedeba atendidos pelo mutirão”.
O Hospital das Clínicas encaminhou 12 pacientes para a triagem do Cedeba, enquanto os outros pacientes em lista de espera foram contactados pela Central de Regulação da Sesab, com base em relação encaminhada anteriormente ao serviço, perfazendo um total de 77 pacientes.
De acordo com dados do Cedeba, a grande maioria dos pacientes atendidos durante o mutirão de cirurgia bariátrica era de Salvador – 198, seguido de Lauro de Freitas, com 12, e Feira de Santana, com 11. As mulheres foram maioria (89% dos pacientes), enquanto a faixa etária predominante foi entre 20 e 40 anos – 65% dos pacientes.