As complicações e internações decorrentes das endocrinopatias (diabetes, transtornos da tireoide, elevados teores de gordura no sangue, transtornos da hipófise, da suprarrenal, das paratireoides, disfunções dos testículos, dos ovários e obesidade) começam a diminuir entre os beneficiários do Planserv.
Esse dado inclui, principalmente, os diabéticos; a avaliação positiva foi feita pelos médicos que integram o Programa de Gerenciamento de Endocrinopatias do Planserv. O programa oferece atendimento multidisciplinar (clínico, endocrinologista e nutricionista).
O médico clínico Fabrizio Silveira, que já fazia atendimento pelo Planserv antes do programa, afirma que já vê boas mudanças nos pacientes com o novo modelo de assistência. “Essa é uma iniciativa corajosa”, acrescentou, durante o 1º Encontro de Gerenciamento de Endocrinopatias do Planserv, realizado, nesta quinta-feira (23), no auditório Raimundo Perazzo, do Centro de Atenção à Saúde Professor José Maria de Magalhães Netto.
Para a nutricionista Mônica Menezes, o resultado do acompanhamento nutricional tem sido muito positivo, porque muitos pacientes já têm uma percepção do que é uma alimentação saudável e da importância da perda de peso para a melhoria da qualidade de vida.
A endocrinologista Silvia Angeleri Valente Davisonhn disse que o Programa de Gerenciamento de Endocrinopatias do Planserv é muito interessante. “Sua maior importância é evitar as internações e as complicações, principalmente no caso de quem tem diabetes”.
Oferta e demanda
“Essa é a doença que lidera as consultas neste programa, que foi criado há um ano para tentar conciliar a grande demanda de atendimento em endocrinologia com a reduzida quantidade de profissionais atuando na especialidade”, explicou a coordenadora de Assistência do Planserv, Cristiane Lopes.
O programa cresceu muito – o número de endocrinologistas aumentou de 12 para 35 em um ano -, mas a demanda também continuou aumentando. A marcação passou a ser feita pelo Planserv para garantir o acesso dos beneficiários às consultas. No evento, a coordenadora do programa, Lívia Nery Franco, apresentou os critérios definidos pelo Planserv para o atendimento dos beneficiários nas seis diferentes fases de atendimento.
Contando com 10 clínicos, nove nutricionistas e 35 endocrinologistas, o programa totalizou 5 mil consultas nos últimos seis meses (2,5 mil só no mutirão realizado por um dos prestadores). Apesar dos avanços, o atendimento em endocrinologia ainda é um desafio, porque o número de especialistas registrados no Cremeb é muito pequeno.
Falta de informação dificulta tratamento
“Doutora, eu não como berinjela porque é vermelha, vai engrossar o meu sangue e aumentar meu colesterol. / Não como banana porque tem muito açúcar e vai piorar meu diabetes”. Depoimentos como esses mostram a desinformação dos pacientes e a importância do acompanhamento nutricional dos que fazem parte do Programa de Gerenciamento de Endocrinopatias do Planserv, segundo a nutricionista Monica Menezes.
O diabético com pouca informação entende que basta tirar o açúcar usado para adoçar os alimentos que ele vai controlar a glicemia. A nutricionista propôs, juntamente com o clínico Fabrizio Silveira, a realização de uma série de palestras educativas para os pacientes atendidos pelo programa.
Mônica explica que a consulta é longa para possibilitar o esclarecimento de dúvidas e definir o programa nutricional dos pacientes. Em muitos casos, há necessidade de elaboração de plano individual, principalmente quando muitas doenças endócrinas estão associadas.