Municípios indicam ações para combater o racismo

28/04/2009

Segurança, saúde e educação. Estas foram as áreas para as quais o movimento negro de Conceição do Coité pediu maior atenção, durante a I Conferência Municipal de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Conmupir), realizada na segunda-feira (27). Aproximadamente 100 pessoas participaram do debate no Centro Cultural, onde foram formuladas propostas que serão encaminhadas a II Conferência Estadual de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Conepir), que acontece de 24 a 26 de maio, em Salvador.


Ao mesmo tempo, em Seabra, mais de 200 pessoas discutiram o tema, destacando entre as reivindicações, maior celeridade na certificação e titulação das comunidades quilombolas. A mesma expectativa foi demonstrada por conferencistas de Souto Soares, que se reuniram no dia anterior, no Quilombo Segredo para organizar as propostas de combate ao racismo.


Em Santo Amaro da Purificação, sábado (25), o dia também foi dedicado a uma intensa reflexão sobre formas de combate ao racismo na Bahia e no Brasil. No eixo saúde, entre outras propostas, indicou-se um plano de assistência para as vítimas da intoxicação saturnina, devido a contaminação pelo chumbo da Companhia Brasileira de Chumbo (Cobrac).


Mais de 70 pessoas do município, de São Francisco do Conde e de Saubara debateram o tema durante os dois dias da I Conferência Regional de Promoção da Igualdade Racial (Corepir). Do encontro, semelhante aos outros municípios, saíram delegados e propostas para as versões estadual e nacional do debate. Também saíram propostas para formulação de um Plano Regional de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, que contemplará a realidade dos três municípios.


“Participar dessa conferência só vai somar informações para o trabalho de valorização da identidade quilombola lá, na nossa comunidade”, declarou Maricélia Conceição dos Santos, que é representante da Companhia Cultural Mont’arte da Associação Quilombola do Monte Recôncavo, de São Francisco do Conde. Para Laíse Cavalcante Oliveira, da Pastoral da Juventude Estudantil de Santo Amaro, uma das abordagens mais importantes do seu grupo foi a inclusão das comunidades quilombolas e de ciganos nas propostas. A jovem participou do debate no eixo desenvolvimento econômico, trabalho, emprego e renda.


Além de Santo Amaro, São Francisco e Saubara, outros 131 municípios baianos estão envolvidos no processo com o objetivo de avaliar os avanços, desafios e perspectivas da política estadual de promoção da igualdade racial. Considerando que o estado concentra um dos maiores contingentes populacionais brasileiros de negros e negras, ao final do processo os conferencistas deverão apontar caminhos que conduzam a eliminação das desigualdades raciais e de todas as formas de discriminação na Bahia.


Espera-se ainda a apresentação de propostas que possibilitem a elaboração de políticas públicas nas três esferas de poder, visando a inclusão econômica, social e política desse grupo de pessoas, há séculos destituído dos seus direitos.


As 31 Conferências regionais ou municipais que estão acontecendo nos diferentes territórios baianos são preparatórias para a II Conepir, cujos delegados são eleitos nestas etapas em quantidade proporcional ao número de habitantes por município. Até o dia 5 de maio, mais 15 conferências municipais ou regionais serão realizadas no interior da Bahia.