Conforme dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), existem cerca de 750 mil substâncias tóxicas conhecidas. Destas, 85 mil são usadas cotidianamente e somente entre 1% e 2% são submetidas à análise toxicológica. Os dados foram apresentados pela diretora do Centro de Informações Antiveneno (Ciave), Daisy Schwab, durante o Seminário de Urgências Toxicológicas, realizado nesta quinta-feira (30), no auditório do Hospital Geral Roberto Santos (HGRS).
Segundo a especialista, a intoxicação se constitui em grave problema de saúde pública em todo o mundo e tem duplicado nos últimos 10 anos.
Ainda de acordo com a diretoria do Ciave, a maioria dos envenenamentos ou intoxicações endógenas ocorre por acidente, em ambiente doméstico, atingindo principalmente crianças menores de cinco anos.
“É preciso muito cuidado com o armazenamento de produtos que podem causar acidentes toxicológicos, como medicamentos, produtos sanitários, raticidas, entre outros”, alerta. Dayse Schwab, acrescenta que nos casos de envenenamento, quanto mais rápido é feito o atendimento, maior a eficácia e menor o risco de óbito.
O Seminário de Urgências Toxicológicas, iniciativa do Ciave, com apoio da 1ª Diretoria Regional de Saúde (Dires), reuniu profissionais de saúde que atuam em emergências de unidades hospitalares da 1ª Dires, no Serviço de Atendimento Médico de Urgência (SAMU), nas secretarias municipais de Saúde da Região Metropolitana de Salvador e nos programas de Agentes Comunitários de Saúde (PACS) e de Saúde da Família (PSF).
Na instalação do encontro, a diretora do Ciave falou sobre a criação e as atribuições do serviço, que foi implantado em 1980, pela Secretaria da Saúde do Estado, e atualmente é considerado pela Organização Mundial de Saúde (OMS) como modelo para países em desenvolvimento.
O Ciave é responsável pelo fornecimento de informações toxicológicas para a Bahia e outros estados do Nordeste; orientação, diagnóstico e terapêutica de pacientes intoxicados; realização de análises toxicológicas de urgência; identificação de animais peçonhentos e plantas venenosas; controle e manutenção de bancos de antídotos e sua distribuição na rede estadual de saúde.
O seminário deu continuidade ao processo de descentralização das ações de toxicovigilância, desencadeado pelo Ciave em 2001. O projeto, que consiste na capacitação de profissionais de nível superior e médio, implantação de bancos de dados nos municípios já contemplados com os treinamentos e de bancos de antídotos nos hospitais de referência das regionais, já capacitou mais de 4,5 mil profissionais de nível superior de emergências e de Saúde da Família e cerca de 12,5 mil agentes comunitários de saúde.
Desde a implantação do projeto, segundo a diretora do Ciave, houve uma queda importante na ocorrência de envenenamentos por produtos clandestinos e no registro de casos graves e mortes, por conta da rapidez no atendimento e do diagnóstico mais precoce.