Gestantes do Conjunto Penal Feminino recebem enxovais

10/07/2009

Mais de 30 gestantes do Conjunto Penal Feminino, esposas ou companheiras de internos da Penitenciária Lemos Brito (PLB), além de mulheres da comunidade da Mata Escura, receberam nesta sexta-feira (10), na PLB, enxovais de bebê. O kit, composto por banheira, fraldas, lençóis, sapatinhos, camisolas, pacote de algodão, colchão infantil e colônia de bebê, é fruto de uma parceria entre as Voluntárias Sociais e a Secretaria Estadual da Justiça, Cidadania e Direitos Humanos (SJCDH).


“Não foram entregues chupetas e mamadeiras porque o objetivo é fortalecer a política de amamentação. Queremos incentivar as mães a amamentarem seus filhos por, no mínimo, seis meses. A amamentação é fundamental para prevenir doenças”, afirmou o secretário da Justiça, Cidadania e Direitos Humanos, Nelson Pelegrino.


Os itens foram doados como premiação para todas as grávidas que participaram do Programa de Melhoria da Saúde Materna e Neonatal e que fizeram, no mínimo, seis consultas de pré-natal. O programa faz parte do Pacto de Redução da Morte Materna e Neonatal, assinado pelo governador Jaques Wagner em 8 de março de 2007.


O objetivo, como declarou a presidente das Voluntárias Sociais, Fátima Mendonça, é fazer com que esse grupo de mulheres se conscientize da importância dos exames nesse período. “Estamos incluindo socialmente essas pessoas. Afinal, o enxoval não é apenas doado por doar. Para ganhar o kit, é necessário que a gestante esteja cuidando da própria saúde e da do bebê. Além disso, damos palestras sobre como evitar a gravidez indesejada e de como cuidar da própria saúde”, afirmou.


A idéia de transformar a doação do enxoval numa estratégia para reduzir a mortalidade materno-infantil partiu da assistente social da PLB, Suely Machado, que articulou a participação da SJCDH no Programa de Melhoria da Saúde Materna e Neonatal, desenvolvido pelas Voluntárias Sociais.


O programa promove o acompanhamento de gestantes de baixa renda, geralmente entre o quinto e o oitavo mês de gravidez e com faixa etária de 20 a 35 anos. “A gente pensou em ajudar as mulheres grávidas dos internos que tinham dificuldade de encontrar emprego e mostrar a importância do planejamento familiar e do pré-natal”, contou Suely.


Cadastramento


Lindinalva Rocha tem 20 anos e está esperando o primeiro filho. Grávida de oito meses, ela tinha apenas algumas roupinhas, que ganhou de amigos e parentes. “Esse kit já é uma ajuda. O melhor é que nos incentiva a cuidar da gente e do nosso bebê”, destacou.


Para participar do programa, as gestantes se cadastraram apresentando o documento do pré-natal e a ultrassonografia.


Segundo a coordenadora das Voluntárias Sociais, Tânia Nogueira, a proposta do programa é monitorar as mulheres grávidas com o pré-natal, medição de pressão arterial e vacinação, além de palestras para orientar as futuras mães sobre os principais cuidados durante a gestação. Como nas unidades prisionais já são promovidos palestras e o acompanhamento das gestantes.


Desde 2007, quando o programa começou, já foram atendidas 1,5 mil gestantes. A expectativa para este ano é que 900 sejam beneficiadas.


Ações para evitar a mortalidade materna


Para o programa Saúde da Mulher, somente para este ano, os governos federal e estadual orçaram R$ 2 milhões. Já para o programa Saúde da Criança, o governo baiano orçou R$ 900 mil.


Os maiores fatores de mortalidade materna, segundo a Secretaria Estadual da Saúde (Sesab), são hipertensão gestacional, hemorragias, infecções e complicações de abortos. A fim de reduzir a mortalidade materna, o governo da Bahia realiza diversas ações. Entre elas, destacam-se:



  • Implementação da vigilância epidemiológica na mortalidade materna em todo o estado, com pactuação com os gestores municipais de metas a serem alcançadas anualmente.

  • Garantia do acesso ao planejamento familiar, sobretudo para as mulheres mais jovens, aliando informações adequadas à oferta regular de métodos seguros e eficazes.

  • Ampliação e melhoria da atenção ao pré-natal nas unidades da rede pública, com a realização do módulo de atenção à mãe e ao bebê no Curso de Especialização em Saúde da Família para Implementação das Linhas do Cuidado.

  • Qualificação e humanização da atenção ao parto e ao nascimento, através da melhoria e equipamento das maternidades e capacitação dos profissionais envolvidos com o atendimento obstétrico.

  • Expansão na rede pública de serviços de atendimento aos casos de aborto previstos por lei e qualificação e humanização da assistência às mulheres em situação de abortamento inseguro.

  • Estruturação nas maternidades de medidas para a efetivação da presença de acompanhante de escolha das gestantes durante o trabalho de parto e no parto.