Os dez mil habitantes de São Domingos, município do Território do Sisal, no semiárido baiano, receberam o Centro Estadual de Educação Profissional do Semiárido, inaugurado nesta sexta-feira (24) pelo governador Jaques Wagner. Na ocasião, o governador assinou a autorização para a construção de uma unidade do Posto de Saúde da Família na cidade.
Alan de Jesus da Silva, 16 anos, está cursando o segundo ano do ensino médio integrado ao ensino profissionalizante. “O curso vai me ajudar a realizar um sonho, que é trabalhar com informática, que eu gosto muito, e com agropecuária, levando em conta as coisas aqui da nossa região”, afirmou.
Olívia Santos Carvalho, 14 anos, ainda está no primeiro ano do ensino médio e também já faz planos, graças ao curso integrado. “Vou querer seguir carreira na agropecuária e acho que o curso profissionalizante vai me ajudar quando chegar a hora de trabalhar”, explicou.
A implantação do posto, que terá também uma equipe de saúde bucal, vai cobrir 1,6 mil habitantes. O investimento é de R$ 105 mil, disponibilizados pelo Banco Mundial (Bird), com uma contrapartida de R$ 11,7 mil do Estado.
Especializado nas questões sociais, econômicas e ambientais do Território do Sisal, o prédio onde está instalado o centro profissionalizante foi inicialmente planejado para oferecer apenas o ensino médio, mas por causa da reivindicação dos movimentos sociais, expressa no PPA Participativo, o governo o transformou num centro de educação profissional.
Por contra dessa mudança, além da estrutura, o prédio receberá outros equipamentos, com a previsão da construção de mais três módulos e implantação de laboratórios. Entre os módulos, estão os de enfermagem, panificação, confeitaria e cozinha e serviço culinário.
As obras demandarão novos investimentos, de mais de R$ 1,2 milhão, que serão financiados pelo programa federal Brasil Profissionalizado, além do custeio, manutenção e contratação de professores de educação profissional, com recursos do Estado.
Aumento no número de matrículas
Segundo Wagner, o número de matrículas em cursos profissionalizantes na Bahia subiu de cinco mil, no início de 2007, para 26 mil, até agora. “Multiplicamos por cinco o número de matrículas no ensino profissionalizante”, afirmou.
Para ele, os jovens precisam terminar o ensino médio e, se possível, cursar também algum tipo de educação profissional. “É fundamental, principalmente para as famílias com poder aquisitivo mais baixo, que os jovens saiam já qualificados do ensino médio para poderem ter uma remuneração e ajudar a bancar seu curso superior”, destacou.
O diretor-geral do curso profissionalizante, Crispim Nelson da Silva, declarou que o Território do Sisal é muito carente e com esta escola vai poder se desenvolver econômica e socialmente.
“Os jovens terão mais oportunidade, inclusive, de desenvolver o seu próprio negócio. A gente entende que o semiárido é carente de novas tecnologias e estes jovens poderão trabalhar como autônomos, sem sair daqui para grandes centros à procura de emprego”, disse.