Produtores familiares e pescadores do Baixo Sul recebem incentivo do governo

17/08/2009

Agricultores familiares, acadêmicos, pesquisadores, empresários e representantes do poder público visitaram, neste último final de semana, a primeira Feira Agropecuária de Valença, a Expo Valença no distrito de Guerém, a 21 quilômetros da sede. No sábado (15), durante a exposição, Wagner entregou 465 títulos de posse de terra a assentados da reforma agrária nos municípios de Camamu e Ituberá.


Na ocasião, o governador anunciou o início das obras do parque de exposições de Valença, que deverá se chamar Parque das Acácias e será construído no local onde foi realizada a feira, e lançou o programa de subvenção do óleo diesel para embarcações de pescadores, que possibilita uma redução no custo de até 40% na atividade.


O município tem registrados atualmente cinco mil agricultores familiares, mas estima-se que esse número possa a chegar a 20 mil. Dentre os principais cultivos se destacam a fruticultura, com ênfase no cultivo do cacau, do açaí, da banana da terra, além do guaraná, cravo e pimenta.


Cesta do Povo


Para Wagner, além de assegurar a entrega de sementes de qualidade, assistência técnica adequada, melhoria genética animal e financiamento, o Governo do Estado precisa incentivar a comercialização dos produtos oriundos da agricultura familiar e viabilizar a inserção desse segmento nas lojas da Cesta do Povo.


“A Empresa Baiana de Alimentos (Ebal), responsável pela Cesta do Povo, deverá se tornar, em pouco tempo, uma rede de vendas dessa produção sustentável da agricultura familiar. Dessa maneira, concretizamos uma rede ainda mais ampla de proteção para os micro, pequenos e médios agricultores”, declarou Wagner.


Para o secretário Roberto Muniz “a diversificação das culturas é o caminho que deve ser trilhado na Bahia, garantindo ao agricultor familiar alternativas e possibilidades para aumentar produção, renda e melhorar a qualidade de vida”.


A parceria comercial e social já está garantindo a inserção da produção de palmito nos municípios de Valença, Taperoá, Nilo Peçanha, Ituberá, Grapiúna e Camamu, que abastece o mercado interno e a rede da Ebal. O trabalho envolve 420 famílias, organizadas através da Cooperativa dos Produtores de Palmito do Baixo Sul da Bahia (Coopalm), responsáveis por uma produção já nesse ano de 1,5 milhão de hastes.


A matéria prima é cortada e processada em uma fábrica terceirizada pela própria cooperativa, atendendo a todo o processo de beneficiamento, que envolve o controle de acidez, pressão, temperatura e embalagem, e que por sua vez repassa o produto com um maior valor agregado e um preço justo para a cooperativa.


“A produção é diferenciada e o produtor não é um mero vendedor de hastes, mas do produto beneficiado. A idéia é que em pouco tempo consigamos comprar a fábrica”, declarou o presidente da Coopalm e engenheiro agrônomo, Francisco Lopes.


A região conta com uma área plantada de palmito equivalente a 900 hectares e produção anual de 2,8 milhões de hastes. Lopes esteve visitando a Expo Valença para ampliar parcerias e conhecer novas culturas em expansão na região. “Fiquei muito interessado na rentabilidade garantida pela acácia”, declarou.

Pesca - O programa de subvenção do óleo diesel para embarcações de pescadores possibilita uma redução no custo de até 40% na atividade e será administrado pela Bahia Pesca, empresa vinculada à Seagri e deverá atender, nessa primeira etapa, 14 mil pescadores baianos.


Para o presidente da colônia de pescadores Z15, com sede em Valença, Raimundo Costa, a compra do combustível é um fator limitante da pesca, sendo responsável por até 70% do custo de produção. “A iniciativa eleva a nossa autoestima e valoriza a atividade da pesca em alto mar. A Bahia pesca é o nosso braço forte”, avaliou Costa. A Colônia Z15 congrega mais de cinco mil pescadores, somente em Valença, dentre homens e mulheres marisqueiras.

Baixo Sul diversifica produção e atrai empresários


A feira contou com o apoio da Secretaria da Agricultura e, nesta primeira edição, valorizou a produção da Acácia Mangium, leguminosa capaz de produzir madeira de qualidade e de boa aceitação no mercado internacional. A produção da acácia está sendo incentivada no Baixo Sul da Bahia, de forma sustentável e consorciada a culturas alimentares, em especial a da mandioca e à atividade apícola.


Para o presidente da Empresa Baiana de Desenvolvimento Agrícola (EBDA), Emerson Leal, a Expo Valença refletiu uma mudança de paradigmas. “É a saída da monocultura do cacau, para a diversificação, através do estímulo ao plantio do açaí, da acácia, ou de outras atividades, como a piscicultura, o que serve de atrativo para a vinda de indústrias. Queremos despertar nos produtores o sentimento de mudança”, declarou.


A empresa, que é vinculada à Secretaria da Agricultura (Seagri), atua na região, organizando e capacitando os produtores, além de difundir tecnologias. O prefeito de Valença, Ramiro Queiroz referenciou a importância da parceria com o Governo do Estado, através da Seagri, na promoção do desenvolvimento não só de Valença, mas de toda a região do Baixo Sul.