Avanços da Bahia na área de transplantes são destaque em curso ibero-americano

02/09/2009

Apesar das diferenças regionais observadas no Brasil e das atividades de transplantes muito concentradas no Sul e Sudeste, a Bahia tem tomado várias iniciativas para tentar reduzir essa defasagem e já observa avanços significativos na área. Nos últimos dois anos, triplicou o número de transplantes realizados, duplicou o de captação de órgãos e foram reativados centros transplantadores em outros municípios, a exemplo de Itabuna.


A afirmação é do secretário da Saúde do estado, Jorge Solla, que na manhã desta quarta-feira (2), presidiu a solenidade de instalação do 3º Curso Ibero-Americano de Controle de Gestão da Qualidade das Atividades relacionadas com Tecidos Humanos, no Bahia Othon Palace Hotel.


Na ocasião, Solla adiantou que, ainda este ano, o estado terá o primeiro serviço de transplante de medula óssea em unidade pública, no Hospital Universitário Professor Edgard Santos (Hupes), e chamou atenção para a importância de a Bahia sediar o curso ibero-americano, com profissionais de países como a Espanha, Estados Unidos e Uruguai, “que certamente trazem experiências significativas”.


O médico e coordenador do Sistema Estadual de Transplantes, Eraldo Moura, disse acreditar que o evento possibilite alavancar os transplantes no Nordeste, “região onde ainda não se oferece o atendimento que merecem aqueles que precisam de um transplante de órgãos e tecidos”.


Controle de Qualidade


O 3º Curso Ibero-Americano de Controle de Gestão da Qualidade das Atividades relacionadas com Tecidos Humanos, que já foi realizado na Argentina e no Rio Grande do Sul, prossegue até sábado (5), com o principal objetivo de capacitar profissionais ligados à área de transplantes, bancos de tecidos (córnea, osso, pele e válvula cardíaca) e bancos de cordão umbilical para o melhor controle de qualidade dos tecidos doados, bem como para todo o funcionamento desses serviços e a avaliação dos doadores.


Promovido pela Secretaria da Saúde do Estado, por meio do Sistema Estadual de Transplantes, em parceria com o Ministério da Saúde, Organização Nacional de Transplantes da Espanha, Hospital das Clínicas de Porto Alegre, Hospital Albert Einstein e Universidade Federal da Bahia, o curso é coordenado por Rosana Nothen, também coordenadora do Sistema Nacional de Transplantes (STN), do Ministério da Saúde, que apresentou, esta manhã, a Política Nacional de Bancos de Tecidos, em fase de estruturação no país.


De acordo com Nothen, entre as metas do Ministério da Saúde para a Rede de Bancos de Tecidos Humanos estão: o caráter essencialmente público, o atendimento das necessidades de transplantes da população e a garantia do acesso aos serviços de transplantes para todos.


Rosana Nothen falou ainda sobre a necessidade de ter uma melhor dimensão do número de transplantes de pele e ossos realizados no país e lembrou que, no caso transplante de córneas, procedimento que há mais de 10 anos é realizado no país, ainda não foi possível zerar a fila de espera, apesar dos 13 mil procedimentos realizados no ano passado.


O representante da Organização Nacional de Transplantes (ONT) de Madri, Jacinto Sánchez, proferiu palestra sobre a importância de um marco regulador para as atividades de transplantes de tecidos humanos, desde a captação até o procedimento cirúrgico, e disse que na Espanha, país que registra o maior número de doações e transplantes de órgãos, mais de 200 mil pessoas receberam implante de tecidos ou células no ano passado.


Durante o 3º Curso Ibero-Americano, que terá aulas teóricas e práticas, estão sendo abordados temas como a política nacional de bancos de tecidos no Brasil, situação atual e legislação das atividades de bancos de tecidos na América Latina, banco de cordão umbilical, esterilização de tecidos, desafios para controle das atividades de tecidos humanos em um país continental e com baixas taxas de doação, sistemas de acreditação da Associação Americana de Bancos de Tecidos e gestão e controle de qualidade aplicados às unidades de obtenção e processamento de tecidos.