Batucar e fazer ecoar conhecimento musical e rítmico. Foi com essa ideia em mente que centenas de percussionistas e amantes da boa música se reuniram nesta quinta-feira (9) no Pelourinho. O segundo dia do projeto Tudo é Percussão 2 foi marcado pelos workshops do professor de canto Neto Costa, do consagrado percussionista Gabi Guedes, da Organização Não-Governamental (ONG) Eletrocooperativa e do show do grupo instrumental Garagem.
Os bate-papos foram intermediados pelo professor de percussão da Universidade Federal da Bahia, Jorge Sacramento, e pelo percussionista Waltinho Cruz, do Chiclete com Banana. O evento é uma realização do Programa Pelourinho Cultural, da Secretaria de Cultura do Estado da Bahia (Secult), e termina nesta sexta-feira (11), reunindo grandes nomes da música nacional, com workshops e shows gratuitos.
Quem abriu a programação desta quinta-feira foi o professor de canto e preparador vocal Neto Costa, que já trabalhou com grandes nomes do teatro e da música baiana, como Fernando Guerreiro, Márcio Meirelles, Ivete Sangalo, Netinho, Lázaro Ramos, Wagner Moura, dentre outros.
“Eu ficaria satisfeito se todos que estão aqui passassem a ter interesse maior sobre a voz e aproveito para sugerir que quem deseja ser cantor procure orientação de um profissional”, recomendou.
Gabi Guedes, um dos artistas mais esperados do evento, subiu ao palco para apresentar ao público, de forma didática, diversos ritmos que são pouco utilizados na música popular soteropolitana. “Quem gosta de percussão tem que dar um pulinho nos terreiros de candomblé, não custa nada. A faculdade do percussionista é lá”, revelou Gabi Guedes.
O músico ensinou e mostrou como tocar diversas levadas e claves originárias dos países africanos e que podem ser encontradas nos terreiros de candomblé, como congo, barravento, sató, agabi, savalú, alujá, kabila – clave parecida com o nosso samba –, adarrum, dentre outros.
Eletrocooperativa
Organização não-governamental surgida no Pelourinho há seis anos, a Eletrocooperativa apresentou ao público a sua consagrada mistura de ritmo, letras politizadas e a utilização das novas tecnologias a favor da arte. “Esse é o nosso jeito de fazer percussão. O tambor é o nosso arcabouço principal, que tem o suporte dos nossos softwares. É a mistura do analógico com o digital”, afirma MC Hagar, um dos cantores da Eletrocooperativa.
Tilson Santana, coordenador-geral da instituição, afirma que eles trabalham com a transferência de conhecimento e renda. “Trabalhamos com a ideia do futuro primitivo, que é a forma mais segura de transformar. O tambor, por exemplo, é uma tecnologia que proporcionava a comunicação à distância. Podemos dizer que foi a primeira internet”, brinca Tilson.
A respeito da segunda edição do “Tudo é Percussão 2”, ele elogia a realização do Pelourinho Cultural. “Leonardo Reis foi muito feliz em fazer todo esse movimento. Este evento veio para fazer a diferença e reunir grandes nomes da música mundial”, afirmou.