Um cortejo cultural, com manifestações artísticas e folclóricas, pelo centro da cidade de Barreiras, nesta quinta-feira (8), marca o início da Conferência Territorial de Cultura no Território de Identidade Bacia do Rio Grande.
Durante dois dias, representantes e delegados de 12 dos 14 municípios da Bacia do Rio Grande participam de reuniões em que debatem e elaboram propostas para a cultura local, estadual e federal. As conferências territoriais antecedem a III Conferência Estadual de Cultura, que será realizada de 26 a 29 de novembro, em Ilhéus.
Uma das questões a ser discutidas é a criação da Secretaria de Cultura em Barreiras e em outros municípios da Bacia do Rio Grande, explica o representante do território de identidade, diz Gelson Vieira. “Precisamos também de centros culturais. Somos carentes em projetos para capacitação profissional e não dispomos de linhas de créditos para o fomento das manifestações culturais”.
Segundo ele, uma preocupação dos representantes de delegados dos municípios é que haja uma desestruturação das manifestações culturais no território. “A luta em manter a tradição não pode parar. Festas de Santos Reis ou Reisado estão deixando de receber incentivos e precisam de apoio para continuar acontecendo”.
Após o cortejo cultural, que acontece a partir das 13h30, na Praça Landulfo Alves, os participantes do encontro seguem para o Centro Cultural Rivelino Carvalho, na mesma praça, onde acontecem as reuniões da conferência. O encerramento será marcado com novas apresentações culturais.
Para o coordenador de cultura de Barreiras, Bosco Fernandes, a valorização das expressões artísticas e folclóricas do interior é uma necessidade dos municípios do território. “Em Barreiras, já existe certa organização das atividades culturais, mas falta uma interiorização da cultura, ou seja, que as manifestações das outras cidades do território sejam mais valorizadas, difundidas”.
Diversidade, cidadania e desenvolvimento
As conferências territoriais de cultura começaram no domingo (4), no município de Irará, a 130 quilômetros de Salvador, que anunciou a criação da sua Secretaria de Cultura. A conferência de Barreiras é a terceira das 26 conferências territoriais de cultura que antecedem a III Conferência Estadual de Cultura da Bahia.
A meta principal da conferência estadual, conforme o secretário de cultura, Márcio Meirelles, é envolver toda a Bahia na discussão dos temas propostos, que são cultura, diversidade, cidadania e desenvolvimento. “Qual política queremos para as artes, para os museus, para os centros de cultura? As conferências são espaços em que essas discussões acontecem, são espaços de decisão e participação popular democrática”, afirmou Meirelles, que participou da abertura do evento.
Um dos pontos positivos das conferências territoriais, diz a superintendente de Cultura da Secult, Ângela Andrade, é permitir a reavaliação das políticas públicas existentes. “Estamos em estado de conferência na Bahia e no Brasil. É a partir dessas discussões que vamos atrair mais recursos para a promoção da cultura”.
As conferências territoriais prosseguem até o dia 8 de novembro, quando será realizada a última das 26 previstas, no Território Região Metropolitana, em Salvador. Além das conferências territoriais vão ser realizadas ainda conferências setoriais preparatórias para a III Conferência Estadual.
Elas serão em nível regional, no Nordeste, reunindo representantes das áreas de teatro, dança, música, artes visuais, livro e leitura, circo, culturas populares e cultura de povos indígenas. Na Bahia haverá ainda as dos setores do audiovisual, museus, bibliotecas, arquivos, culturas afro-brasileiras, pesquisadores e estudiosos