Porto Seguro sedia Conferência Territorial de Cultura

22/10/2009

Porto Seguro sedia, nestas quinta e sexta-feira (22 e 23), a Conferência Territorial de Cultura do Extremo Sul, da qual participam representantes e grupos culturais dos 21 municípios da região. É a 15ª conferência territorial de cultura realizada no estado desde o início deste mês. Sexta-feira e sábado (23 e 24) é a vez do território de Irecê promover a sua conferência.


O encontro em Porto Seguro será aberto oficialmente às 19h, com a apresentação do grupo indígena Pataxó de Barra Velha, considerada a aldeia-mãe da região. Participam também integrantes de comunidades quilombolas e o grupo Viola do Bolso.


Antes disso, a partir das 15h, o Centro de Cultura de Porto Seguro, na avenida dos Navegantes, s/n, no Centro, abrigará centenas de pessoas que irão discutir propostas, eleger delegados representantes e elaborar o Plano Territorial de Cultura que será levado à 3ª Conferência Estadual de Cultura, de 26 a 29 de novembro, em Ilhéus.


De acordo com a representante de cultura do Território de Identidade, Raquel Machado Galvão, é urgente a criação de mecanismos para financiar a cultura do extremo sul, região em que predomina a cultura indígena. “Este será um dos assuntos debatidos na conferência. O objetivo é que os grupos culturais possam se organizar de forma a ser tornarem independentes, autossustentáveis”, diz.


A superintendente de Assuntos dos Povos Indígenas de Porto Seguro, Soraia Perelo, afirma que as 12 comunidades indígenas do território enfrentam não somente a escassez de recursos para promover atividades culturais. “Carecem de capacitação profissional até mesmo para o Turismo”, observa, acrescentando que apenas algumas comunidades indígenas possuem visibilidade na região, a exemplo da Jaqueira, por ser mais próxima da cidade.


Identidade


Embora não vá participar dos debates nos dois dias da conferência, o índio Adalto Pataxó, 41 anos, um dos líderes de Barra Velha, acredita que a conferência possibilitará refletir questões como a criação de um centro de cultura indígena.


Na opinião de Pataxó, será também o momento de se alertar para o risco da perda de identidade indígena. “Hoje, por exemplo, qualquer um entra em Barra Velha. Está havendo infiltração de não-índios nas nossas áreas. Dessa forma, estamos perdendo a força política de nossa própria cultura”, adverte.


Dos 26 encontros territoriais de cultura previstos, faltam ser realizados 11. O último deles, nos dias 8 e 9 de novembro, será na Região Metropolitana, na capital baiana. Nas conferências territoriais são debatidas propostas que foram apresentadas pelos municípios nas conferências municipais. Essas propostas vão ser aprimoradas e levadas à 3ª Conferência Estadual de Cultura. Além disso, durante esses encontros, são eleitos os delegados que vão representar o município na 3ª Conferência Estadual de Cultura e na 2ª Conferência Nacional de Cultura, a última a ser realizada de 11 a 14 de março de 2010, em Brasília.