Uma festa de cores, ritmos, sons e muita alegria. Assim foi a 8ª Parada Gay de Salvador, organizada pelo Grupo Gay da Bahia (GGB), no ano em que completa 30 anos de luta pelos direitos dos homossexuais no Estado. A festa, que aconteceu no Campo Grande na tarde deste domingo (25), contou com a participação do Grupo Gay Negro da Bahia – Quimbanda Dudu, além de representantes de organizações de Simões Filho, Praia do Forte e Lauro de Freitas.
Mais de 800 mil pessoas, de acordo com estimativa da Polícia Militar, estiveram presentes na festa, que foi animada com apresentações de transformistas no palco principal e muita música nos dez trios elétricos que seguiram pelo centro da cidade até a Praça Castro Alves. Dentre os presentes, as drag queens chamaram a atenção de centenas de curiosos, que não paravam de tirar fotografias das covers de Amy Winehouse, Joelma, Mulher Maravilha e Gloria Gaynor.
Presidente do GGB, o antropólogo paulista Luiz Mott vive na Bahia há mais de 20 anos. “O espírito da Parada é mostrar para as pessoas que os gays, lésbicas e travestis representam mais de 10% da população brasileira e até hoje são vítimas de grande preconceito e discriminação”, afirma. Mott diz ainda que, "a Bahia, com suas belezas naturais, culturais e humanas e pela hospitalidade de seu povo, é muito admirada por turistas GLBT". Pela primeira vez na Bahia, a turista norueguesa Johanne Walker, 22 anos, afirmou adorar a movimentação. “As pessoas são ótimas, achei tudo maravilhoso!”.
A festa, como disse a transformista e apresentadora Michele Loren, era para os gays. E todos estavam de acordo. O cabeleireiro Rangel Souza de Matos, 30 anos, disse fazer shows há mais de dez e garante que “é uma grande alegria participar da Parada Gay e mostrar um pouco pras pessoas que nós somos normais, pagamos nossos impostos”. A estudante Izabela Simas, 16 anos, concorda. “Embora muitos não saibam, estamos aqui porque existe uma Lei contra homofobia, que é crime”.
Militantes de outros estados também marcaram presença na parada. O casal Oswaldo Braga e Marquinhos Trajano, do Movimento Gay de Minas (MGM), subiram ao palco e elogiaram a organização baiana, assim como um representante do Ministério da Saúde. “Fiquei muito feliz em ver como se organizaram aqui na Bahia, a polícia na rua, protegendo todos nós!”, disse Trajano, que mora em Juiz de Fora. O jornalista Eduardo Martins também reverenciou a Bahia: “Já vim à parada outras vezes e a vejo como uma maneira de dar expressão a um segmento muito discriminado. A presença e o apoio do governo Estadual e Federal é muito importante para a causa”, concluiu.
Turismo GLS
Salvador, Porto Seguro, Ilhéus e Itacaré estão entre os principais destinos GLS do Brasil. Considerados gay-friendly, esses destinos se destacam neste segmento por proporcionarem ambientes democráticos, respeito à diversidade, vida noturna agitada, muita arte, cultura e privacidade.
Além de Salvador, os municípios de São Sebastião do Passé, Mata de São João, Feira de Santana, Lauro de Freitas, Camaçari, Ilhéus e Arembepe já organizam a festa da Parada Gay todos os anos.
As fotos do evento estão disponíveis em: www.flickr.com/photos/turismobahia/sets/72157622662982102/.