Lavagem do Bonfim reúne milhares de pessoas

14/01/2010

Publicada às 10h09

Atualizada às 17h30


“Viva o Senhor do Bonfim, Deus vos abençoe e vos guarde, tenham todos uma boa caminhada, um 2010 de paz e tranquilidade! Ônisá urê saú axé!”. Na porta da Igreja de Nossa Senhora da Conceição da Praia, saudações em Português e Yorubá encerraram o ato ecumênico que deu início à procissão da lavagem do Bonfim, nesta quinta-feira (14), por volta das nove da manhã.


Juntos, um padre e um Babalorixá falaram para católicos e povo de santo, que lado a lado saíram para os oito quilômetros de caminhada até a Colina Sagrada. Um único ato de penitência, que ao mesmo tempo reverencia Senhor do Bonfim e Oxalá. Uma tradição de 256 anos, que une catolicismo e candomblé e que mais uma vez atraiu milhares de fiéis.


Além dos baianos, muitos turistas participaram da lavagem. A carioca Heloisa Silva, que estava em visita a Salvador e fez questão de conhecer a festa, disse que a procissão é uma demonstração de fé contagiante. “Caminhei isso tudo e aqui o banho de cheiro renovou minhas energias, pedi um 2010 de muita paz”, completou.


O cortejo seguiu puxado pelo som das bandas de afoxé. Logo atrás, vinham o governador Jaques Wagner, a primeira-dama Fátima Mendonça e uma comitiva formada por secretários de Estado, deputados estaduais, federais e autoridades políticas. “A festa do Bonfim marca a fé e a devoção de nosso povo. Há 35 anos eu faço a caminhada, é um momento de reflexão e penitência”, disse Wagner, que pediu saúde e paz para a Bahia e para os baianos em 2010.


O governador disse que espera que 2010 seja um ano ainda melhor que 2009, quando, apesar da crise, a Bahia conseguiu realizar ações importantes em várias áreas. Sobre a segurança, o governador explicou que este é um problema enfrentado por todos. “O Estado investiu em equipamentos, em viaturas e na elaboração de estratégias como o Ronda nos Bairros e o Território da Paz”, declarou.


Para ele, este é um problema que precisa da união de todos – Estado, sociedade e família –, “principalmente no enfrentamento ao uso de drogas, a exemplo do crack”.


Polícia investe em tecnologia nas festas populares


Para garantir a segurança de quem foi à lavagem do Bonfim, 2,3 mil policiais militares trabalharam na festa. Eles foram divididos em seis postos de comando ao longo do trajeto do cortejo. Ao lado do governador Jaques Wagner, o secretário da Segurança Pública, César Nunes, afirmou que o policiamento vai ser reforçado em todas as festas populares e no Carnaval.


O secretário anunciou a instalação de uma rede de fibra ótica entre o bairro de Ondina e o Centro Histórico. Segundo ele, a rede vai permitir a instalação de câmaras de monitoramento em qualquer ponto, com grande capacidade de transmissão de imagens, dados e voz. “Essa estrutura vai ser lançada no Carnaval e vai continuar funcionando durante todo o ano. Estamos investindo em tecnologia para combater o crime e a violência”. Nunes disse que espera expandir a rede para outras áreas da capital.


Haiti


Durante a procissão da festa do Senhor do Bonfim, Wagner lembrou da tragédia no Haiti e pediu que os baianos orem pelas vítimas da catástrofe. “Este ano nós também vamos pedir pelas vítimas do terremoto do Haiti. O governo federal já enviou ajuda humanitária e nós, ao lado de Senhor do Bonfim, estamos orando pelo povo do Haiti”, destacou.


Depois de percorrer os oito quilômetros, o cortejo chegou à Colina Sagrada, a janela central da igreja foi aberta e a imagem do Senhor do Bonfim exibida aos devotos. Todos cantaram o hino e as baianas derramaram a água de cheiro e a alfazema, lavando o adro, as escadarias e abençoando quem acompanhava a cerimônia.