O desemprego diminuiu pelo sexto ano consecutivo na Região Metropolitana de Salvador (RMS) com a redução da taxa de 20,3%, em 2008, para 19,4% da População Economicamente Ativa (PEA) em 2009. Os resultados são da Pesquisa de Emprego e Desemprego (PED/RMS), realizada em parceria pela Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia (SEI), autarquia da Secretaria do Planejamento (Seplan), o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), a Secretaria do Trabalho, Emprego, Renda e Esporte (Setre) e a Fundação Seade. De acordo com os dados da pesquisa, este é o menor resultado apresentado desde 1997.
O economista da PED/RMS, Luiz Chateaubriand, ressaltou, durante a coletiva de imprensa realizada nesta quinta-feira (28), que a perspectiva para o mercado de trabalho era crítica no início de 2009, pois os agentes econômicos esperavam que o Brasil sofresse os impactos da Crise Financeira e Econômica Mundial.
“Contrariando as expectativas, o país teve um desempenho muito melhor que o esperado, principalmente, por causa dos estímulos que o governo federal ofereceu aos setores de construção civil, automóveis, linha branca dos eletrodomésticos, bem como o aumento do tempo do seguro desemprego, entre outras ações. Todos estes estímulos refletiram no mercado de trabalho da RMS, por isso nós chegamos ao final de 2009 com um resultado positivo”, apontou Chateabriand.
Na avaliação do Secretário do Planejamento, Walter Pinheiro, a tendência é que o nível de empregabilidade cresça em 2010. “O Governo do Estado vem investindo continuamente em infraestrutura, a exemplo da construção de hospitais, estradas, recuperação de escolas, ampliação de sistemas de abastecimento de água e de saneamento básico, o que vem gerando empregos no setor da construção civil”.
Pinheiro também atrela o resultado da pesquisa ao aquecimento da economia, com a redução do IPI, que acarretou na ampliação do número de empregos nos setores de serviços e comércio. “Em 2010 a economia brasileira tende a crescer e na Bahia também, inclusive num ritmo mais acelerado do que 2009”, enfatizou.
Números - No ano passado, o número de pessoas ocupadas alcançou aproximadamente 1,479 milhão, enquanto a PEA foi de 1,835 milhão, portanto, foi estimado um total de 356 mil desempregados, 16 mil a menos que em 2008. Segundo os técnicos da PED/RMS, os dados da pesquisa mostram que as maiores taxas de desemprego foram registradas nos anos de 1999 e 2003, quando a RMS atingiu 27,7% e 28,0%, respectivamente, da população economicamente ativa desempregada.
Em relação ao nível de ocupação, houve um crescimento de 1,2% em 2009. Os setores de ocupação que tiveram melhores desempenhos foram Construção Civil, com 13 mil ocupações, ou 15,3%, Comércio, com 13 mil, ou 5,7%, e Serviços, onde foram quatro mil ocupações, ou 0,5%.
Por outro lado, a Indústria apresentou redução de seis mil postos de trabalho (-4,7%), e os Serviços Domésticos menos cinco mil ocupações (-4,2%). O segmento que mais sofreu os impactos da crise foi a indústria.
Em regiões onde a Indústria tem maior peso, como Minas Gerais e São Paulo, esse impacto foi maior, em contrapartida, a Construção Civil teve um crescimento acentuado de 15% na RMS, o que reflete a política de incentivo do Governo e a atuação das agências financeiras e as obras de construção públicas, como as obras do PAC.
Em 2009, o número de assalariados registrou crescimento acentuado de 34 mil, ou 3,6%, resultado das contratações no setor privado, que ficou em cerca de 27 mil, ou 3,7%. Em menor proporção, o setor público ficou com 6 mil contratações, ou 2,9%.
No segmento privado, houve aumento expressivo de 38 mil contratações, ou 6,6%, do assalariamento com carteira de trabalho assinada e redução de 10 mil, ou -6,7%, entre os sem carteira. Diminuiu o número de Empregadores em 8 mil, 16,7%, de empregados domésticos, 5 mil, ou 4,2%, e daqueles classificados no agregado demais posições ocupacionais, 5 mil, ou 14,3%. Permaneceu relativamente estável o número de trabalhadores autônomos, mil, ou 0,3%.
Rendimento - Em comparação aos valores de 2008, o rendimento médio dos ocupados aumentou 0,9% e o dos assalariados permaneceu relativamente estável, 0,3%, o que equivale a R$ 991 e R$ 1.098, respectivamente.
Dezembro tem a menor taxa de desemprego da série histórica da PED
No último mês de 2009, o desemprego apresentou a menor taxa da série histórica da Pesquisa de Emprego e Desemprego (PED/RMS), passando de 17,8% em novembro, para 17% da População Economicamente Ativa. Conforme os resultados da PED, o contingente de desempregados foi estimado em 316 mil pessoas, 13 mil a menos que em novembro. Esse resultado decorreu da geração de 24 mil ocupações, número superior ao de pessoas que ingressaram na População Economicamente Ativa - 11 mil.
Na RMS, o nível ocupacional cresceu com o incremento de 24 mil postos de trabalho, totalizando 1.542 mil trabalhadores ocupados. Tal desempenho deveu-se ao aumento da ocupação nos Serviços, 20 mil, ou 2,2%, Indústria, 8 mil, ou 6,3%, e Construção Civil, 6 mil, ou 5,8%. Em contraposição, diminuiu o contingente de ocupados no agregado Outros Setores que inclui Serviços Domésticos e Outras Atividades, 7 mil, ou 5,4%, e no Comércio, 3 mil, ou 1,2%.
Segundo posição na ocupação, a expansão do total de assalariados 28 mil, ou 2,8%, resultou do crescimento do setor privado, 20 mil, ou 2,6%, assim como do emprego público, 8 mil, ou 3,8%. No setor privado, registrou-se aumento dos assalariados com carteira de trabalho assinada, 26 mil, ou 4,2%, e redução dos sem carteira, 6 mil, ou 3,9%.
Cresceu o número de autônomos, 5 mil, ou 1,5%, e registrou-se redução no de empregados domésticos, 6 mil, ou 5,4%, e no daqueles classificados no agregado outros, que inclui os Empregadores, os Trabalhadores Familiares, os Donos de Negócios Familiares etc - 3 mil, ou 3,9%.
Em novembro, aumentou o rendimento médio real de ocupados em 1,5% e de assalariados em 1,8%. Os valores desses rendimentos foram estimados em R$ 1.006 e R$ 1.122, respectivamente. Em relação a novembro de 2008, o rendimento médio diminuiu para os ocupados em 0,9% e permaneceu relativamente estável para os assalariados (-0,2%).