Consultas, exames e até cirurgias. A população do município de Gandu, no baixo-sul do estado, está aproveitando a oportunidade para utilizar um ou mais dos 59 serviços oferecidos pelo Projeto Saúde em Movimento, que chegou à cidade no dia 19 de fevereiro e permanece até 8 deste mês. Nesta quinta-feira (4), o governador Jaques Wagner foi ver de perto os resultados do mutirão. Desde que começou o mutirão, já foram atendidas mais de 170 mil pessoas em toda a Bahia.
Com mais de 25 mil atendimentos feitos em pacientes da região, entre exames e cirurgias, a prioridade são os alunos do Programa Todos pela Alfabetização (Topa), que ainda recebem óculos de grau gratuitamente, caso seja necessário. É o caso de Dilma Brito, de 38 anos. “Os óculos vão facilitar para mim, que voltei à escola depois de mais de vinte anos”.
O secretário da Saúde, Jorge Solla, disse que toda a região sudoeste já foi atendida e que agora o programa será iniciado em Miguel Calmon. “Estamos no baixo-sul e vamos chegar ao centro-norte. Isso tem um impacto importante na saúde. Com atendimentos nessa escala, este é um programa inédito no Sistema Único de Saúde”.
Para Wagner, o programa deve ser continuado após o final das cinco etapas que ainda faltam para terminar esta temporada. “Se depender de mim, vamos continuar. Em cada lugar que eu chego, as pessoas estão emocionadas com o atendimento por profissionais de primeira qualidade e com equipamentos novos”, afirmou.
O agricultor Adelino Pereira, 67 anos, é um dos pacientes que aguardavam ansiosos antes de fazer o procedimento em um dos olhos e, depois de alguns minutos, saiu da sala de cirurgia cheio de esperança. “É muito ruim não poder enxergar direito. Dói um pouquinho, mas depois passa. Espero que agora eu consiga enxergar tudo, é o que eu mais quero”.
Desde o início do Saúde em Movimento, em outubro de 2009, já foram feitas 58 mil consultas, 105 mil exames complementares, mais de cinco mil cirurgias de catarata e dez mil de pterígio, doença conhecida como carne nos olhos. A expectativa é que estes números aumentem com a continuação do projeto em, pelo menos, mais dez regiões do estado.
Estrutura
Cerca de 130 profissionais de saúde se revezam no atendimento de duas mil pessoas por dia. Quando a quinta etapa do mutirão terminar, a previsão é que mais de 36 mil pacientes de Gandu e região tenham passado pelo projeto, a maior ação já realizada no estado.
Segundo o médico Diego Águila, os exames e cirurgias são feitos com o que há de mais moderno em tecnologia, para garantir a recuperação rápida dos pacientes. “Nós utilizamos equipamentos de alta tecnologia, o que facilita muito, pois as cirurgias são feitas em cerca de dez minutos e o paciente fica totalmente recuperado em menos de uma semana. Ele já sai enxergando”.
Maria Antônia Souza, 78 anos, também aluna do Topa, foi outra que fez a cirurgia de catarata – a mais requisitada entre todos os procedimentos oferecidos pelo projeto. Ela ficou realizada ao perceber que vai ser mais fácil estudar agora. “Tudo o que eu quero é voltar a estudar e poder enxergar o que eu vou escrever”.