O estágio em que se encontram os estudos com vacinas candidatas à imunização contra a dengue e as perspectivas dos testes que estão sendo feitos em países do sudeste asiático serem realizados no Brasil. Estes foram os principais pontos enfocados durante o Simpósio de Desenvolvimento, Avaliação e Marco Regulatório de Vacinas Contra a Dengue no Brasil.
O evento, que acontece desde a última segunda-feira (22) no Bahia Othon Palace, numa iniciativa do Instituto de Saúde Coletiva da Ufba (ISC), Ministério da Saúde e Pediatric Dengue Vaccine Iniciative (PDVI), com o apoio da Organização Pan-Americana de Saúde (Opas), tem a participação de cientistas brasileiros e pesquisadores do PDVI.
Segundo a diretora do ISC, Glória Teixeira, existem cinco vacinas candidatas, em fase 2 e 3 de estudos em população humana, mas que ainda estão sendo testadas e não estão disponíveis à população. Para a infectologista, os estudos representam um grande avanço, com a perspectiva de que se tenha uma vacina para uso humano nos próximos cinco a sete anos.
No simpósio, os estudos com as vacinas candidatas foram apresentados à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que apresentou o marco regulatório (regulamentação) para que os testes, atualmente realizados em países como a Tailândia e Filipinas, entre outros, possam ser feitos no Brasil.
“A população brasileira tem características muito próprias, é bastante miscigenada. Por isso é preciso observar os cuidados e de que forma o governo brasileiro poderá autorizar que as vacinas sejam testadas em nossa população”, destacou Glória. Ela informou que é o PDVI, apoiado pela OMS e Fundação Bill Gates, que está desenvolvendo a regulamentação para os testes em humanos.
Além do Simpósio de Desenvolvimento, Avaliação e Marco Regulatório de Vacinas Contra a Dengue no Brasil, o Bahia Othon Palace está sediando o 3º Fórum de Ciência e Tecnologia em Dengue, com a participação de profissionais e pesquisadores brasileiros e estrangeiros, especialistas no assunto, incluindo técnicos da Secretaria da Saúde da Bahia (Sesab).
No encontro, que será encerrado na próxima sexta-feira (26), estão sendo mostrados os avanços na clínica, epidemiologia e controle do vetor da dengue, além dos cuidados com o meio ambiente. “Estamos discutindo as controvérsias e as fronteiras para se avançar no conhecimento sobre a dengue e o controle da doença”, declarou Glória, que na tarde da últimaquarta-feira(24)foi responsável pela apresentação do tema Vigilância da Febre da Dengue: Limites, Progressos, Necessidades e Perspectivas.
No mesmo dia, Scott Halstead, pesquisador do PDVI, falou sobre A Dengue e Suas Controvérsias, enquanto Jospe Luis San Martin, da Opas, apresentou o tema Avanços, Limites e Desafios da Vigilância da Dengue nas Américas, e João Bosco Siqueira Júnior, da Universidade Federal de Goiás, falou sobre A Vigilância da Dengue no Brasil, seguidos dedebates coordenados pela superintendente de Vigilância e Proteção da Saúde da Sesab, Lorene Pinto.
Perdas econômicas
Para os organizadores dos encontros internacionais, a dengue é hoje a arbovirose mais importante do mundo, e sua disseminação vem aumentando dramaticamente nos últimos 30 anos, causando perdas econômicas e grande morbidade.
A doença pode vir a ser controlada com uma vacina e os progressos recentes são promissores, no sentido de se dispor de uma ou mais vacinas licenciadas, nos próximos anos. No Brasil, a dengue ocorre de forma endêmica, e grandes surtos foram observados no Rio de Janeiro e em outros estados, com um aumento nas formas graves.
O governo brasileiro atribui elevada prioridade ao controle da dengue e está investindo no controle do vetor, tratamento, pesquisas e desenvolvimento de estratégias de combate à doença. Na Bahia, este ano, até a 10ª semana epidemiológica (13 deste mês), foram notificados 7.682 casos de dengue, número que representa uma redução de 83,3% em relação ao mesmo período do ano passado – 45.969 casos. Com relação às formas graves da doença, a Sesab registrou a ocorrência, este ano, de 77 casos, com quatro mortes.