Policiais baianos são treinados para combater lavagem de dinheiro

Publicado: 14/04/2010 Última atualização: 05/10/2026 às 14:07

Quatro agentes, um escrivão e dois delegados da Polícia Civil baiana participam, esta semana, do curso para instalação e funcionamento do Laboratório Tecnológico de Combate a Corrupção e Lavagem de Dinheiro (Lab-LD). O treinamento integra a programação do 12º Congresso das Nações Unidas sobre Prevenção ao Crime e Justiça Criminal, realizado no Centro de Convenções da Bahia, em Salvador.

O grupo faz parte dos 15 policiais que vão trabalhar no Lab-LD. “Estamos aprendendo a alimentar o software usado nas investigações com informações e dados financeiros e também conhecendo os mecanismos de cruzamento desses dados e o tratamento das informações que serão enviadas para o Lab-LD”, explicou a delegada Gabriela Macedo, que participa do treinamento.

O Lab-LD vai receber informações de instituições financeiras como o Banco Central, a Receita Federal e o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). Em caso de investigações sobre crimes que envolvam a lavagem de dinheiro, os delegados responsáveis pelos casos podem pedir o auxílio do Lab-LD, que tem capacidade para fazer a análise dos dados e conseguir provas materiais do crime.

Combate ao crime organizado
O chefe de gabinete da Secretaria de Segurança Pública, Arthur Gallas, explicou que o Lab-LD é peça chave no combate ao crime organizado na Bahia. “Hoje, os mecanismos de segurança do mundo inteiro sabem que para acabar com o crime organizado é preciso atacar o sistema financeiro das organizações criminosas”.

Segundo Gallas, não adianta apenas prender o chefe ou os integrantes das quadrilhas, porque eles são rapidamente substituídos e o crime volta a ser cometido. “É necessário secar a fonte do dinheiro, acabar com o financiamento e, por fim, ao ciclo criminoso”.

Durante o treinamento no Congresso da ONU, o coordenador geral de Articulação Institucional da Secretaria Nacional de Justiça, Carlos Takao Yoshioka, explicou que as organizações criminosas utilizam esse procedimento para acumular riquezas e, posteriormente, aumentar a sua estrutura, consequentemente o seu poder.

“A lavagem ocorre de maneira silenciosa e oculta. Além do fortalecimento dos grupos criminosos, essas ações desestabilizam a economia, geram concorrência desleal e enfraquecem a democracia”, afirmou Yoshioka.

Na Bahia, já houve casos em que quadrilhas investiram em gado, hotel bares e até casas de show para lavar o dinheiro. “Eles abrem um hotel, por exemplo, e se tem um cliente na noite declaram que tiveram 50. O dinheiro do crime paga a conta dos outros 49 e, depois de recolher os impostos, o dinheiro do lucro está supostamente legalizado e pode ser usado mais facilmente”, disse Arthur Gallas.

Segundo a ONU, 300 milhões de dólares por dia e 200 bilhões de dólares anuais são desviados por quadrilhas que praticam lavagem de dinheiro. “Nosso maior problema é a condenação de quem comete esse tipo de crime”, declarou Yoshioka. Ele ressaltou a necessidade de alteração na legislação de alguns países para que o crime seja tipificado, os responsáveis punidos e os bens recuperados. Conseguir essa integração é um dos objetivos do Congresso da ONU.