Há dois anos, a Escola de Dança da Fundação Cultural do Estado da Bahia, unidade da Secretaria de Cultura do Estado (Secult), vem se adequando ao cumprimento da Lei 10639/2003, que torna obrigatória a inclusão de História e Cultura Afrobrasileira nos currículos escolares. Seus cursos preparatórios e profissionalizantes foram revisados e incluíram na grade curricular disciplinas como Danças Afrobrasileiras, Danças Populares e Capoeira.
Dentro deste contexto, durante este mês, a escola promove oficinas, palestras e workshops para os alunos, em comemoração ao Dia do Folclore (22), incluindo também atividades abertas à participação do público.
“A Escola de Dança tem disciplinas nos seus dois cursos voltadas para o cumprimento da lei federal de inclusão da cultura africana para que possamos trabalhar de forma transversal os temas da história e cultura afrobrasileira e homenagear o Dia do Folclore. Estamos desenvolvendo atividades que trabalhem estas questões, dando subsídios para os alunos compreenderem a relação do folclore e da cultura popular com a linguagem da dança”, explica a diretora da instituição, Beth Rangel.
Na próxima quinta-feira (19), às 16h, será realizado um cortejo de confraternização com os alunos, saindo do Centro Histórico até a Praça das Artes, retornando depois para a escola. Para articular as práticas da cultura popular e contextualizar as atividades com a temática, a Escola de Dança fez uma parceria com o Colégio Estadual Renan Baleeiro, localizado em Águas Claras.
O colégio executa atividades com o grupo folclórico infantil Zapiapunga, cujo nome vem de uma manifestação folclórica que ocorre no município de Nilo Peçanha. Trata-se de um cortejo de homens mascarados, trajados com roupas coloridas e feitas com retalhos de panos e papéis de seda, que saem às ruas durante a madrugada da véspera do Dia de Finados, dançando e acordando a população da cidade ao som de instrumentos de percussão como tambores, cuícas e búzios gigantes.
No sábado (21), às 15h, a escola promove a Mostra Dia do Folclore, no Centro Cultural Plataforma, espaço também administrado pela Funceb. O propósito do evento é apresentar resultados pedagógicos dos cursos Profissional, Livre e de Extensão em Dança, com trabalhos realizados pelos alunos, buscando também uma aproximação da escola com a comunidade de Plataforma.
Pioneirismo na iniciação à dança para crianças e adolescentes
Fundada em 1984, a Escola de Dança da Funceb constituiu-se como a primeira escola pública a oferecer iniciação à dança a crianças e adolescentes. Em 1988, ampliou suas funções e implantou o Curso de Educação Profissional de Nível Técnico em Dança, visando a formação e qualificação de jovens e artistas de classes menos favorecidas, oriundos de escolas públicas e moradores de bairros populares.
A escola destaca-se como lugar privilegiado para disseminação das artes e da cultura local, tendo como ações estruturantes cursos continuados, gratuitos, além de outras ações de natureza extensionista, que possibilitaram alcançar, durante o ano letivo de 2009, 1.516 alunos.
Além dos cursos e oficinas, a escola desenvolve uma série de ações de difusão cultural. Projetos como Sexta em Movimento, Mostras Coreográficas do Curso Preparatório e Profissional, e Dia do Folclore estabelecem outras possibilidades de articulação junto à sociedade.
O Sexta em Movimento é uma atividade artístico-pedagógica que promove apresentações mensais produzidas por alunos e professores, no Espaço Xisto Bahia. De julho a outubro de 2009 foi realizada uma parceria com a Escola Parque para mostras mensais também em seu anfiteatro voltadas aos alunos das Escolas Classes do Complexo Anísio Teixeira.
As Mostras Coreográficas do Curso Preparatório e Profissional são apresentações de coreografias criadas na escola em espaços públicos (Shopping Piedade, Largo do Campo Grande e Pelourinho), escolas e centros educacionais (Escola de Dança da Ufba e o Centro Social Urbano do Nordeste de Amaralina) e teatros (Castro Alves, Acbeu, Vila Velha, Sesc-Senac, do Liceu de Artes e dos Correios). Essas mostras alcançaram recordes de público como a coreografia Dora, apresentada na abertura da Conferência Estadual de Educação realizada na Escola Parque com a presença de 1,5 mil espectadores.
O Dia do Folclore promove, este mês, atividades interdisciplinares para cerca de 100 alunos do Curso Profissional e 400 do Curso Preparatório. Em 2009 foram feitas visitas guiadas ao Centro Cultural Solar do Ferrão, com apreciação das exposições Sete Áfricas, Acervo Lina Bo Bardi e a Coleção de Arte Sacra do Museu Abelardo Rodrigues. A experiência foi concluída com a criação de coreografias apresentadas na Praça das Artes (Pelourinho) para um público em torno de 250 pessoas por dia.