Depois de um período de retração, em que pouco se expandiu para outros mercados, o segmento do tabaco e do fumo da Bahia dá um importante passo para o seu desenvolvimento. A Câmara Setorial do Charuto foi instalada, quarta-feira (29), na Câmara de Vereadores de Cruz das Almas, em solenidade aberta pelo secretário da Agricultura do Estado, Eduardo Salles, com a proposta de elevar a qualidade do charuto baiano e conquistar o mercado asiático.
A nova câmara, que se junta a outras 18 do setor agropecuário baiano, coloca frente a frente todos os elos da cadeia produtiva do tabaco e do fumo, tanto do setor público como privado, especialmente do Recôncavo, uma das principais regiões produtoras do Brasil. Com isso, espera-se que a produção local seja acelerada, garantindo a oferta de emprego na região, e exportada para um número maior de países, sobretudo do continente asiático.
“O charuto é um patrimônio nosso. O estado tem hegemonia na produção desse fumo, graças ao clima e solo da região do Recôncavo, extremamente favorável à cultura”, destacou o secretário, ressaltando também que a Bahia possui lugar de destaque, pois apresenta o segundo maior parque fontícula do País e o primeiro do Nordeste. Além disso, o segmento emprega, entre funcionários diretos e produtores da agricultura familiar, em torno de 15 mil trabalhadores.
O secretário disse ainda que é preciso encontrar alternativas para levar o charuto e outros produtos da Bahia para outros mercados. “Produzimos não só os melhores charutos, juntamente com os cubanos. Temos um dos melhores chocolates, um dos melhores vinhos e tantos outros produtos. É por isso que a Secretaria da Agricultura instalou um escritório de negócios em Pequim, na China, através do qual esses produtos passarão a ser conhecidos no mercado asiático, alcançando um contingente de 1,3 bilhões de pessoas”.
Representando o Ministério da Agricultura, o chefe de gabinete da Secretaria de Defesa Agropecuária, José Conceição Ferreira Sobrinho, destacou a importância de se elevar o charuto baiano à qualidade de produto do tipo exportação, abrindo novos caminhos para o mercado asiático. Para Ricardo Becker, presidente do Sindicato da Indústria do Tabaco do Estado da Bahia (Sinditabaco), a Câmara Setorial do Charuto deve ajudar o setor superar alguns entraves. “O charuto normalmente não vicia, normalmente não é tragado e não possui produto químico em sua formulação. Mesmo assim, sofre preconceito e sanções tributárias. Não podemos fazer propagandas e ainda precisamos pagar IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados). A grande saída, sem dúvida, é a exportação”, afirmou.
Segmentos
As câmaras setoriais são órgãos consultivos formados por representantes de entidades de caráter estadual, de produtores, trabalhadores, consumidores, empresários, autoridades do setor privado e de órgãos públicos, além de instituições financeiras. Elas representam os segmentos da apicultura e meliponicultura, algodão, seringueira, cana-de-açúcar e derivados, mandioca, café, grãos, pesca e aquicultura, oleaginosas, hortaliças, silvicultura, fruticultura (com duas subcâmaras: citricultura e fruticultura temperada e tropical) e guaraná, além de uma câmara temática de relações internacionais e comércio exterior.