Educadores da rede estadual recebem formação para combater racismo

Publicado: 23/07/2026 Última atualização: 23/07/2026 às 14:01

A ciência e a tecnologia também são caminhos para combater o racismo e ampliar as oportunidades da juventude negra. Esta foi a mensagem que conduziu a aula inaugural da Formação Educação, Ciência, Tecnologia e Relações Raciais, realizada na manhã desta quinta-feira (23), no Instituto Anísio Teixeira (IAT), em Salvador. Promovida pela Secretaria da Educação da Bahia (SEC), em parceria com o Instituto Cultural Steve Biko, a iniciativa reuniu educadores para fortalecer práticas pedagógicas que conectam produção científica, valorização da identidade e sucesso escolar, consolidando uma educação comprometida com a equidade.

A formação integra o Projeto Oguntec, desenvolvido pelo Instituto Cultural Steve Biko, e tem como eixo a implementação da Lei nº 10.639/2003, que tornou obrigatório o ensino de História e das culturas afro-brasileira e africana nas escolas, posteriormente ampliada pela Lei nº 11.645/2008, que incluiu, também, a história e a cultura dos povos indígenas. A primeira turma reúne 52 professores e coordenadores pedagógicos de dez escolas estaduais de Salvador, que participarão de quatro módulos presenciais. "Esta experiência piloto será a base para expandirmos a formação para outros territórios da Bahia", explicou a coordenadora da Educação Integral da SEC, Nájila Lopes. "Queremos mostrar que essa legislação atravessa todas as áreas do conhecimento. A ciência também tem raízes africanas e afro-brasileiras, e esse reconhecimento precisa chegar à sala de aula", acrescentou a coordenadora-geral da formação, Tarry Cristina Santos Pereira.

Para o diretor-executivo do Instituto Cultural Steve Biko, Lázaro Cunha, a iniciativa representa um passo importante para aproximar ciência, tecnologia e relações raciais. "Temos uma juventude extremamente talentosa. O fortalecimento da autoestima e da identidade racial é decisivo para que esse potencial contribua com o desenvolvimento do país". Já a reitora da Universidade do Estado da Bahia (UNEB), Adriana Marmori, ressaltou que o desafio é transformar a legislação em prática pedagógica. "Somente uma educação crítica permitirá formar pessoas capazes de reconhecer sua identidade, exercer seus direitos e enfrentar o racismo."

Equidade Étnico-Racial

Também nesta quinta-feira (23), o IAT sediou o 4º Ciclo Formativo Unicef de Equidade Étnico-Racial, reunindo 172 educadores de 69 municípios baianos. Recepcionado pelos participantes, o secretário da Educação do Estado, Marcius Gomes deu as boas-vindas aos representantes das redes municipais e destacou a importância do regime de colaboração para o fortalecimento da educação pública baiana. Segundo ele, os avanços registrados pelo Estado são resultado do trabalho conjunto entre o governo e os municípios, tendo a formação continuada como um dos pilares para garantir equidade, permanência dos estudantes e melhoria da aprendizagem.

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