Projeto de estudantes da rede estadual leva ciência baiana à mostra nacional no Rio de Janeiro

Publicado: 05/08/2026 Última atualização: 05/08/2026 às 14:58

Transformar conhecimentos científicos, sustentabilidade e saberes populares em uma solução para melhorar a qualidade de vida das pessoas. Foi esse caminho que levou estudantes do Centro Territorial de Educação Profissional da Bacia do Rio Grande (CETEP-BRG), em Barreiras, a conquistar um feito inédito. O projeto "CicatrizAção: desenvolvimento de curativos biológicos de celulose bacteriana cultivados com sacarose e chá preto (Camellia sinensis) com extrato ativo de terramicina (Alternanthera brasiliana)" foi selecionado para a Mostra Sul-Fluminense de Ciência e Tecnologia (MOSFCET 2026), que será realizada nos dias 24 e 25 de agosto, em Vassouras, no Rio de Janeiro.

Desenvolvido por estudantes dos cursos técnicos de Agroecologia e Finanças, o trabalho propõe uma alternativa sustentável e de baixo custo para o tratamento de feridas, aliando pesquisa científica e inovação. Professora orientadora, Wilka Teixeira de Miranda destacou que a iniciativa nasceu das pesquisas realizadas no CETEP. "A autoria é dos estudantes, que abraçaram a proposta desde o início. Unimos diferentes áreas do conhecimento para desenvolver uma solução socialmente útil, sustentável e economicamente viável". Para ela, a iniciação científica transforma os jovens em protagonistas. "Eles deixam de apenas receber conhecimento para investigar, criar e produzir ciência com impacto na sociedade", diz.

Integrante da equipe, o estudante Luiz Henrique Souza da Silva, 17 anos, contou que a pesquisa surgiu a partir da busca por um curativo biológico mais acessível. "Descobri que a celulose bacteriana produzida pelo Scoby, uma cultura de bactérias e leveduras utilizada na produção da kombucha, poderia servir como base para o curativo. Depois, recorri aos saberes populares e conheci a terramicina, planta com potencial cicatrizante, dando origem ao CicatrizAção". Para ele, a iniciação científica amplia horizontes. "Ela mostra que qualquer jovem pode produzir conhecimento, acreditar no próprio potencial e transformar a realidade onde vive."

Responsável pelos estudos de viabilidade econômica do projeto, o estudante João Antônio de Miranda, 16 anos, explicou que o grupo também trabalha para tornar a inovação financeiramente acessível. "Nosso objetivo é desenvolver um curativo biológico de baixo custo, utilizando materiais naturais e disponíveis para que essa tecnologia possa chegar às comunidades com menos acesso a tratamentos avançados". Seu colega, Henrique Rocha de Oliveira, da mesma idade, reforçou que ciência e responsabilidade social caminham juntas. "Queremos criar uma solução eficiente, sustentável e acessível, além de incentivar outros estudantes a perceberem que projetos científicos desenvolvidos na escola podem ajudar a resolver problemas reais".

A seleção para a MOSFCET representa um reconhecimento nacional ao trabalho desenvolvido no CETEP-BRG e evidencia a força da iniciação científica na rede estadual de ensino. Em sua oitava edição, a Mostra Sul-Fluminense de Ciência e Tecnologia reúne projetos de estudantes de diferentes estados brasileiros, incentivando a pesquisa, a inovação e o protagonismo estudantil desde a Educação Básica até o Ensino Médio.

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