Castelo do Esporte beneficia população de Castelo Branco e região

11/12/2015
O toque do berimbau, acompanhado do pandeiro, ambos instrumentos utilizados na capoeira, deram os acordes do Hino Nacional cantado hoje (11) pela manhã na cerimônia de abertura do projeto “Castelo do Esporte” – iniciativa da Associação Cultural de Capoeira Clips Academia (ACCCA) que conta com o apoio financeiro e a supervisão do Governo do Estado, por meio da Superintendência dos Desportos do Estado da Bahia (Sudesb), autarquia vinculada à Secretaria do Trabalho, Emprego, Renda e Esporte (Setre).

Com desfile das modalidades esportivas e de lazer ensinadas no projeto, seguida dos torneios de futebol e futsal e das apresentações, entre outras, de samba de roda, capoeira, boxe e hip-hop, a abertura movimentou o Centro Social Urbano (CSU), que ficou lotado de alunos e moradores da região. A programação serviu como uma prévia das atividades que serão executadas ao longo dos próximos meses no “Castelo do Esporte”, que hoje já conta com cerca de 1.500 pessoas matriculadas, das 2.600 vagas disponíveis.

O “Castelo” beneficia crianças, adolescentes, adultos e idosos dos bairros de Castelo Branco, Águas Claras, Sete de Abril, Dom Avelar, Fazenda Grande II e Vila Canária nas modalidades de futebol de campo, futsal, karatê, capoeira, vôlei, basquete, jiu-jitsu, boxe, ginástica e dança de salão. As aulas são realizadas de terça a sexta-feira, em locais diversos, como quadras públicas, praças, academias, centro comunitário e escolas das redes municipal e estadual. Essa diversidade é um dos elementos apontados como fator primordial para agregar a comunidade, cuja demanda por atividades gratuitas e de qualidade é grande.

Essa abrangência foi destacada pelo diretor de Fomento ao Esporte da Sudesb, Marcio Lima, que aproveitou a oportunidade para pedir aos presentes que convidem mais pessoas para que todas as vagas sejam ocupadas. “É uma alegria vir a essa comunidade e ver que o que a gente planeja está acontecendo. Essa é uma das formas que vocês têm de ver que o dinheiro dos impostos que vocês pagam está voltando em forma de projetos. A gente quer ver cada vez mais gente beneficiada. O objetivo é executar 100% dele. Chamem seus parentes, amigos, vizinhos”, disse.

Moradora de Castelo Branco, Juciara Oliveira apontou que o fato de buscar mais qualidade de vida foi um dos fatores que a fez se matricular na ginástica. “Faço duas vezes por semana e melhorou muito minha vida e minha autoestima. Eu vi uma colega vindo e resolvi me inscrever. Já trouxe outras pessoas e quero ver se meu neto vem fazer capoeira”, contou, explicando que o fato de ser gratuito também foi um estimulante. “Às vezes, você pagando não tem a satisfação que nós temos aqui. É muito bom”, completou, formando coro com as amigas.

Antes, a ACCCA funcionava apenas com recursos próprios, o que dificultava a possibilidade de abrir mais vagas, em diversas modalidades. Hoje, as aulas são alternativas para o contraturno escolar de muitas crianças e adolescentes. Aos 14 anos, Raimundo Neto buscou uma opção para suas tardes. Ele está fazendo karatê e em seu pouco tempo de aula comemora o que aprendeu. “Já aprendi defesa e ataque. Conheci gente nova e também encontrei alguns amigos”, explica Neto. Quem endossa o coro, dessa vez pelo boxe, é Bárbara Lorena, de 17 anos. “Pensei primeiro no karatê, mas eu mudei para o boxe porque eu gosto e assisto lutas”, disse.

Mudanças
– Não é de hoje que o esporte é apontado como uma das ferramentas de inclusão social. Além de ser celeiro para a formação de novos atletas, a prática de atividades acaba mexendo com os participantes e também com suas famílias. De acordo com o professor de capoeira, Wesley Silva, é comum os pais irem ao projeto para falar sobre as mudanças positivas de seus filhos. “O esporte ajuda aos pais na educação dos filhos. Muitos meninos que antes eram considerados ‘brigões’ hoje servem de exemplo para os irmãos e amigos”, falou.

Desde 2007, o Governo do Estado vem investindo direta e indiretamente na promoção de atividades de esporte e lazer na Bahia, apoiando projetos de iniciação esportiva e também atletas e paratletas. Neste ano foi assinado um pacote de convênios com entidades da capital e do interior, em consonância com o Pacto pela Vida, para levar escolinhas para regiões de alta vulnerabilidade social. Graças a essas parcerias, mais de 20 mil pessoas, de diversas idades, estão sendo beneficiadas. O investimento (incluindo todos os projetos) é de mais de R$ 10 milhões, por um período de 12 meses, podendo ser prorrogado por igual período.

Para implementar a execução deste projeto, a Sudesb conta com recursos próprios e também da Secretaria de Promoção da Igualdade Racial (Sepromi), além de aporte financeiro do Fundo de Combate à Pobreza (Funcep).