Patologização das identidades trans foi último tema do Conversando em agosto

01/09/2015

Encerrando sua programação de agosto, dedicada ao tema “História e Sexualidade”, o curso Conversando com sua História, realizado pelo Centro de Memória da Bahia (CMB) - unidade vinculada à Fundação Pedro Calmon/Secretaria de Cultura do Estado da Bahia (FPC/SecultBa) - promoveu na última segunda-feira (31/08) a palestra “Direitos humanos sim, patologização não! -  Quando a ciência normatiza, invisibiliza e exclui as identidades trans”, na Biblioteca Pública do Estado da Bahia (Barris). A aula foi ministrada pela historiadora e mestra em Estudos Interdisciplinares sobre Mulheres, Gênero e Feminismo, Sabrina Guerra Guimarães (NEIM/UFBA), que abordou a forma como a medicina legal trata as identidades trans.

“Há toda uma questão de verdade dentro da ciência, de como o corpo das pessoas foram moldados para dizer o que é verdade, para normatizar e podar o corpo das pessoas dentro desse padrão sempre heterossexual. Então todos os comportamentos que se voltem para homossexualidade, a lesbianidade, ou as identidades trans, por exemplo, são tratadas como sub-espécies, como anormais, ou como pessoas objetos”, explicou Sabrina Guerra.

Sabrina Guerra apresentou ao público alguns livros de medicina legal que, segundo a palestrante, ainda usam os sufixos “ismos”, “patologizando as identidades já despatologizadas” como a homossexualidade e a lesbianidade, e contribuindo para o aumento do preconceito contra essas pessoas. “Na verdade, a gente quer que esses livros sejam reformulados devido ao enorme preconceito, porque quem acessa esses livros são estudantes de Direito, estudantes de Medicina, pessoas que vão fazer concursos e que serão os regentes hierárquicos da nossa sociedade. Ou seja, serão eles quem estarão à frente quando essas pessoas buscarem o acesso à saúde, acesso ao meio jurídico, e elas acabam sempre sendo tratadas com um enorme preconceito” informou a palestrante que falou também sobre a importância de se discutir essa temática frente à configuração da sociedade atual.

“É importantíssimo tratar desse tema porque muitos desses discursos, unidos ao discurso da ciência, o discurso religioso, o discurso jurídico está levando a nossa sociedade a uma enorme homofobia. E o Brasil hoje é o que tem o maior indicie de homofobia e crimes transfóbicos. Então é de suma importância tratar disso pelos direitos humanos dessas pessoas”, concluiu Sabrina Guerra.

 

CMB - O Centro de Memória da Bahia (CMB), unidade da Fundação Pedro Calmon/Secretaria de Cultura do Estado (FPC/SecultBA), tem como objetivo a difusão da história da Bahia, através da preservação e ordenação de arquivos privados e personalidades públicas, bem como a realização de exposições, seminários e cursos de formação gratuitos. Entre suas funções, é responsável pelo Memorial dos Governadores Republicanos da Bahia (MGRB), localizado no Palácio Rio Branco, no Centro Histórico de Salvador.