Encontro reuniu profissionais da área da biblioteconomia para discutir inovações nas unidades informacionais
Voltado às ações de promoção de informações sobre as unidades informacionais, o III Encontro de Bibliotecas Públicas e Espaços Culturais aconteceu ao longo do dia 23, na Biblioteca Central do Estado da Bahia. No ato solene, Zulu Araújo, Diretor-Geral da Fundação Pedro Calmon (FPC) relembrou como os espaços de leitura foram ameaçados ao longo dos últimos anos.
“Vimos um representante da gestão federal dizer que era um risco a implantação de bibliotecas nos clubes de tiros do país e tivemos quase 48% da população que chancelou essa fala. Isso nos lembra que teremos de lutar para que não tenhamos esse retrocesso em nosso futuro. São a partir de eventos como estes que garantimos a democracia”, declarou o Diretor-Geral.
Representando o Conselho Regional de Biblioteconomia da 5ª Região (CRB), Ana Lúcia Albano, bibliotecária e conselheira, lembrou como seu primeiro contato com uma unidade informacional foi pontual para transformar sua juventude. “Eu tinha 15 anos quando entrei em uma biblioteca pela primeira vez. Quando eu entrei, tive a oportunidade de experienciar diversas oportunidades de leitura. Se sou uma profissional de bibliotecas hoje, é a marca deste momento. Por isso eu saúdo eventos assim”, comentou.
Presente na mesa de abertura, o diretor do Instituto de Ciência da Informação da Universidade Federal da Bahia (ICI-UFBA), Gillan Queiroga Lima, ressaltou a importância destes espaços na transformação da sociedade. “As bibliotecas são ambientes que impulsionam mudanças sociais, estas têm protagonizado mundialmente as inovação tecnologias do sistema de organização, recuperação da informação de nossa sociedades ao longo dos tempos”, detalhou.
Programação
Pela manhã, a primeira mesa abordou o papel da biblioteca pública como dispositivo da memória e os novos formatos de mediação, com Marcelo Souza, coordenador de bibliotecas de Cachoeira, Ana Medeiros de Sousa, doutora em Ciência da Informação, e Queli Santos, doutoranda em psicologia. Na sequência, a discussão sobre o livro e a leitura e sua relação com as tecnologias de informação reuniu Bárbara Coelho,Pós-Doutora em Ciência da Informação da Universidade de Brasília (UNB), e a estudante do Colégio Edvaldo B. Correia, Ana Beatriz Dantas.
Para Tamires Neves, diretora do Sistema Estadual de Bibliotecas Públicas (SEBP), o encontro possibilitou o compartilhamento de conhecimentos atuais nesta área. “Neste encontro, visamos trocar estratégias, projetos, ações de políticas públicas de incentivo ao livro, a leitura, a cultura e ao conhecimento, e como estão sendo desenvolvidas nas Bibliotecas Públicas e nos espaços de leitura”, enfatizou.
No período da tarde foram abordados os relatos e experiências das bibliotecas comunitárias contempladas pela Lei Aldir Blanc (LAB), que fomenta ações de cultura. Participaram do debate Ladailza Teles, conselheira de Cultura e representante do segmento de bibliotecas comunitárias, Jaqueson Silva, diretor da biblioteca do município de Laje, Gessica Catarina Santos, da biblioteca Mãe Mirinha, de Portão.
Presente no evento, Valéria Cardoso, pedagoga e voluntária da biblioteca comunitária de Caraíva, distrito de Porto Seguro, ressaltou a importância da LAB para a comunidade. “Através deste projeto a biblioteca que eu atuo conseguiu recurso financeiro para a produção de 13 documentários sobre os povos originários da região”.
Ainda, durante o encontro, foi realizada uma mesa sobre Biblioterapia, uma prática utilizada para o tratamento terapêutico, que utiliza a leitura em seu sentido amplo e serve de paliativo tanto com problemas emocionais quanto comportamentais. O evento foi encerrado com a participação da Banda Opaxorô, da Apae Salvador.