Em abril, o escritor-fotógrafo e jornalista, Tom Correia, assumiu a Diretoria do Livro e da Leitura (DLL), da Fundação Pedro Calmon (FPC/SecultBA), que tem o propósito de incentivar a leitura, a formação de mediadores de leitura e fomentar e divulgar a produção de livros. O novo diretor da DLL possui uma trajetória mista, envolvendo projetos com fotografia de rua e literatura.
Tom é autor dos livros “Clube dos niilistas”, “Ladeiras, vielas & farrapos”, “Sob um céu de gris profundo” e “Memorial dos medíocres”, além de ser idealizador e editor da Revista Laroyê, também foi curador de duas edições da Flica (Festa Literária Internacional de Cachoeira) e da primeira edição do Flin (Festival Literário Nacional), como diretor da DLL, pretende exercer uma gestão colaborativa que priorize ações e mobilizações que ultrapassem a esfera executiva e cheguem de forma consistente e criativa para a sociedade.
Qual a expectativa para esse novo desafio?
Tom Correia: A sensação é de que se trata de algo de grande proporção, pois, além de nunca ter cogitado ocupar um cargo de gestor em órgão público, eu considero que um dos maiores desafios seja mesclar um perfil que dialoga mais com a criação e execução de projetos dentro de um sistema que tem um rito próprio. O outro desafio é o de me adaptar com agilidade a esse novo contexto.
Como pretende utilizar das suas experiências profissionais para a gestão?
TC: Acredito que por transitar em diversos campos de atuação, com um perfil eclético que envolve Literatura, Jornalismo, Fotografia e projetos editoriais, todo esse repertório poderá ser útil no cotidiano da DLL. Mas nada disso terá utilidade se eu não escutar minhas(meus) colegas do setor e da FPC: aprender com a experiência e a vivência de cada uma(um) delas(es). Estou sendo muito bem assessorado por toda equipe da DLL e construir essa relação de cumplicidade será fundamental para que o nosso trabalho flua com leveza e naturalidade, proporcionando que as inúmeras metas a cumprir em 2022 sejam alcançadas a partir dessa construção coletiva.
De que forma sua experiência como escritor pode auxiliar nas políticas públicas de fomento ao livro, estímulo à leitura e difusão da literatura?
TC: Penso que esse percurso de leitor-escritor-editor, junto com o trabalho de equipe da DLL e em constante diálogo com outros setores essenciais da FPC, pode proporcionar a implementação de novas ações, de reformulação de iniciativas mais antigas, de buscar até mesmo a possibilidade de criar projetos experimentais. Todos temos consciência da lacuna estrutural e histórica em relação aos níveis de leitura no Brasil, mas não há outra forma de se minimizar esse vácuo a não ser continuar acreditando em maneiras criativas e sedutoras de estímulo e de sensibilização em prol da leitura, considerando também o nosso contexto social pós pandemia.
Você já atuou como curador de festivais literários, como isso pode auxiliar a DLL na execução dos seus projetos?
TC: Cada curadoria de festa literária que tive a honra e a alegria de assinar, proporciona um aprendizado que extrapola o âmbito de habilidades e competências. Ser curador é essencialmente praticar um olhar amplo, desprovido de preconceito e acomodação, é praticar uma escuta atenta para lidar com o imprevisto; é sentir [às vezes mais do que pensar] que determinada composição de convidados em uma mesa tem potencial de conexão com o público. Acredito que, sobretudo, um curador também é um gestor. E guardadas as devidas especificidades, creio que ambas atividades podem servir de amparo e inspiração de modo recíproco e orgânico.
Qual seu olhar e proposta de atuação para uma política mais próxima da sociedade?
TC: O volume de informação nova que chega todos os dias é bastante significativo. Isso tem exigido dedicação para entender também como funciona a dinâmica da DLL em parceria com as instituições e agentes culturais, outros setores da FPC, com os órgãos oficiais que solicita apoio a diversas festas literárias e eventos programados para o segundo semestre de 2022. Entretanto, é prioritário o esforço para fazer com que propostas de ação e mobilização, construídas com a colaboração de diversos profissionais, ultrapassem a esfera do gabinete e chegue de forma consistente ao público da forma mais abrangente e criativa possível.