Com mais de 600 mil itens entre livros e obras de artes, a mais antiga biblioteca do Brasil e da América Latina, a Biblioteca Central do Estado da Bahia (BCEB), unidade gerida pela Fundação Pedro Calmon (FPC/SecultBA), comemorou na última sexta-feira (13), seus 211 anos de existência. Nestes mais de dois séculos de funcionamento, a BCEB fortalece as políticas do livro e da leitura, de portas abertas para receber toda a população.
A mesa de abertura do evento “O Papel do setor Braille da BCEB na inclusão, evolução e difusão da informação para pessoas com deficiência visual”, foi ministrada pelo jornalista e pesquisador de acessibilidade cultural, Ednilson Sacramento. Além da palestra, pela manhã aconteceu as contações de história “História da Biblioteca Central para crianças” e “O baú das histórias”.
À tarde, o público assistiu a palestra “Considerações histórico-biblioteconômicas da Biblioteca Pública da Bahia no século XIX”, que teve como convidado o professor Fabiano Cataldo, do Departamento de Documentação e Informação do Instituto de Ciência da Informação UFBA. A criançada presente pode conferir o espetáculo “O Rapto das Cebolinhas”, da Companhia de Teatro da Biblioteca Infantil Monteiro Lobato e a contação de história feita pela pedagoga Lívia Góis, responsável pelo projeto Navegando Nas Histórias. “A biblioteca Central é um marco histórico, um lugar de luta, revolução, transformação e nós, contadores de história, temos um papel importante por trazer de volta para as crianças a história da nossa cultura”, declarou Lívia.
Rita Almeida, bibliotecária, funcionária da BCEB há 28 anos, reforçou a qualidade do acervo da unidade: “Eu entro aqui todo dia com o olhar de leitora, gosto de atendimento, de ouvir o leitor que chega aqui, meu espirito é de pesquisadora, então poder ajudar a encontrar um título dentro desse acervo, que é maravilhoso, não só pela quantidade de livros, mas pela qualidade de todos os materiais, é gratificante”.
Quem também marcou presença no evento foram as escritoras, Bruna Cupertino, Aucélia Salomão, Jucinalva Nery, Luciana Conceirção, Ana Paula Carneiro, Vitoria Dias, Vilma Almada e Solange Sousa, para roda de conversa e lançamento do livro “Soteroproleituras: Entrelaços e Vivências de Mulheres Negras”. O livro é uma coletânea escrita por 25 autoras, que fazem parte da Rede de Bibliotecas Comunitárias de Salvador (RBCS), composta por 14 bibliotecas, presente em 12 bairros periféricos da cidade.
“É muito importante estarmos comemorando esse aniversário em parceria com a RBCS, esse espaço é de resistência, a Biblioteca Central é uma casa de cultura e de conhecimento que sobrevive há dois séculos de história, passando por vários regimes de governo e que continua aberta, mesmo depois de um período pandêmico, recebendo a sociedade, levando informação, conhecimento, leitura e cultura, de uma forma geral”, declara Marcos Viana, diretor da BCEB. O evento foi encerrado com a apresentação musical do Grupo Icima - Mobilização Musical do Bairro de Beiru/Tancredo Neves.