Conhecer a origem da família, sua ligação, tradição, cultura ou religião, é um dos principais fundamentos da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, cujos membros são conhecidos como mórmons.
Através da Family Search, organização de pesquisa genealógica mantida pela Igreja firmou-se com o Arquivo Público do Estado da Bahia – vinculado à Fundação Pedro Calmon/ SecultBA – um Acordo de Cooperação Técnica para ampliar estas pesquisas.
O Acordo visa a conversão em imagens, por meio de captura de câmera fotográfica, de documentos que integram fundos, coleções e séries custodiadas pelo Arquivo.
São documentos civis, a exemplo de registros de nascimento, casamento e óbito, fundos consulares, registros de naturalização, passaportes de escravos, registros de cartas de alforria, de chegada e saída de escravos, correspondências sobre africanos libertos, recenseamentos, dentre muitas outras fontes documentais identificadas para estudos genealógicos.
O operador do projeto, que é realizado em diversos Arquivos Públicos do Brasil e do mundo, Carlos Vilas Boas, destaca: “Nosso objetivo é buscar documentos relativos a pessoas e famílias, através de registros de casamento, nascimento e óbito. Buscamos a história de nossos antepassados e a Bahia tem um dos mais ricos acervos de todo o país. O trabalho pode ser feito - além dos Arquivos Públicos- também em cartórios e Igrejas Católicas, quando é autorizado”, explica Carlos.
“Essa parceria é importante porque somamos forças para a digitalização do acervo do Arquivo Público, uma vez que ficarão aqui cópias de todos os documentos digitalizados”, diz a diretora do Arquivo, Teresa Matos.
Digitalização
Os equipamentos utilizados no trabalho de cooperação são câmera fotográfica, computador, HD externo e lâmpadas frias, mantidos pela Family Search. Por dia são obtidas, em média, 1.500 imagens e, para manter os padrões técnicos de Arquivologia e o controle de qualidade das digitalizações, toda produção é enviada à sede da organização, nos Estados Unidos.
Os documentos digitalizados estarão disponíveis no site familysearch.org, onde também é possível encontrar fotos, pesquisar sobre seus antepassados e até montar a sua própria árvore genealógica. O trabalho no Arquivo Público será realizado por aproximadamente um ano, ou até quando durar o trabalho de captação de imagens. Esta captura é realizada pelas Sisters Fernandes e Teixeira, que fazem o trabalho voluntariamente.
“Na Igreja, temos a oportunidade de realizar diversos tipos de missões. Pela minha idade, faço missão sênior e tenho a possibilidade de sugerir em que quero trabalhar. Como eu gosto de pesquisar a história da família, captura de registros e genealogia, escolhi esse segmento”, diz a Sister Fernandes, natural do Rio Grande do Sul. Já a Sister Teixeira, natural de Salvador, destaca: “É um trabalho apaixonante pesquisar sobre a história da família, porque temos a possibilidade de ajudar outras pessoas”, diz a Sister, referindo-se, também, a possibilidade de ajudar as pessoas a obterem a dupla cidadania a partir dos registros custodiados.
Arquivo Público – Com 127 anos, o Arquivo Público do Estado da Bahia (APEB), unidade da Fundação Pedro Calmon/Secretaria de Cultura do Estado (FPC/SecultBA), é a segunda mais importante instituição arquivística pública do país. Em seu extenso e rico patrimônio estão custodiados documentos produzidos e acumulados no período colonial, monárquico e republicano brasileiro, que são diariamente consultados por pesquisadores de todo Brasil e de outros países. Um acervo organizado e estruturado desde 1890, quando o então governador do Estado da Bahia, Manoel Victorino Pereira, por meio de Ato, criou o Arquivo Público.
Fotos: Tom França