Antonio Pompêo – Ator, artista plástico e ativista morre no Rio de Janeiro

05/01/2016

A Fundação Pedro Calmon/Secretaria de Cultura do Estado lamenta profundamente o falecimento do ator, artista plástico e ativista Antonio Pompêo, encontrado morto em sua residência, no Rio de Janeiro, na tarde desta terça (5). Ainda sem causa identificada, a morte de Pompêo sensibilizou artistas e admiradores de todo o Brasil, que se manifestaram pelas Redes Sociais após a divulgação da notícia. Nascido na cidade de São José do Rio Pardo (SP), Antonio Pompêo tinha 62 anos e, para além de sua arte na TV e no cinema, era respeitado e reconhecido por sua militância em prol da luta contra o racismo.

Pompêo foi diretor de Promoção, Estudos, Pesquisas e Divulgação da Cultura Afro-Brasileira da Fundação Palmares, ligada ao Ministério da Cultura, quando da gestão de Zulu Araújo, hoje diretor geral da Fundação Pedro Calmon. Ele lamentou a morte do ator. “Ele encarnou, simbolizou e representou tudo que imaginávamos ao interpretar o papel de Zumbi dos Palmares no filme Quilombo de Cacá Diegues. Essa empatia que o Movimento Negro tem com ele não é apenas por ele era um bom ator, mas porque ele também era um militante. Fez um papel no qual ele acreditava, era um Zumbi Redivivo, profundamente comprometido com a luta contra o racismo e a intolerância religiosa”, frisou Zulu, enfatizando seu empenho em prol da juventude negra em todo país. “Foi diretor da Palmares e um dos seus grandes legados foi criar o Pontão de Cultura Afro-Brasileira no Rio de Janeiro, dedicado ao cinema negro. Também devo lembrar do seu empenho com o projeto ora chamado Juventude Negra, uma iniciativa voltada para a formação e capacitação de jovens atores negros para as artes cênicas em geral”, frisou. (veja aqui entrevista para Rede Nacional de Juventude Negra).

Antonio Pompêo sempre teve muita ligação com Salvador, em especial com o Bloco Afro Olodum, do qual era frequentador assíduo e do qual ganhou, em 2015, o título de Conselheiro. “Artista completo, tinha sorriso farto e alegria de viver, era um grande parceiro do Olodum. Uma figura ímpar, representante da nossa arte e cultura. Lamentamos profundamente sua morte, mas sabemos que ele cumpriu sua missão com seu trabalho pela preservação e difusão da memória dos artistas negros”, enfatizou o presidente do Olodum, João Jorge Rodrigues, afirmando ainda que um dos grandes projetos que Pompêo tinha em curso era um filme sobre a Revolta dos Búzios, em parceria com o Olodum.

Para o secretário municipal de Promoção da Igualdade Racial de São Paulo, Maurício Pestana, também amigo pessoal de Antonio Pompêo, o ator era um ativista. “Pompêo era um destes raros artistas completos que que nunca deixou de atuar politicamente pela questão racial. Transitava como artista e ativista e jamais perdeu a oportunidade de se posicionar sobre isso em toda e qualquer projeção, tanto da sua arte, como na Fundação Palmares, onde atuou, em prol da luta anti-racista no Brasil”, frisou.  Ainda não há informações quanto ao sepultamento do ator. 

Carreira - Seu início na TV foi em 1975, em "A Moreninha". Na Rede Globo, ele trabalhou nas novelas "O Rei do Gado", "A viagem", "Pecado capital", "Mulheres de areia", "A casa das sete mulheres", "Pedra sobre pedra" e "Fera ferida". Pompêo participou dos filmes "O cortiço" e 'Xica da Silva'. Seu último trabalho em novelas foi em Balacobaco, da Rede Record, em 2012.

Foto: reprodução Facebook

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