Com 50% de seu alunado formado por estudantes africanos, a Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (Unilab) vem, há 5 anos, promovendo a integração entre o Brasil e países da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), especialmente os países da África. No município de São Francisco do Conde - Campus do Malês -, na última segunda (15), estudantes participaram da Aula Magna que abriu o trimestre, com o tema “Brasil-África: educação, tecnologia, saber e cultura”. Na ocasião da aula inaugural, foram lançados livros dos professores Carlindo Fausto, Pedro Acosta Leyva, Juliana Barreto Farias e Paulo Sergio Proença.
Toda comunidade acadêmica integrou o debate realizado pela professora da Universidade Federal da Bahia (UFBA) Jamile Borges e pelo diretor geral da Fundação Pedro Calmon, Zulu Araújo, que falou do tema “A Bahia e os processos educacionais, culturais e políticos visando a relação Brasil-África”. Em sua fala, Zulu pontuou a relação governamental entre os países africanos e no Brasil, em especial a Bahia. “Expliquei para os alunos, em sua maioria de africanos da Guiné Bissau, como a Fundação trabalha e sua estrutura. Deixei claro nosso papel na contribuição de sua formação acadêmica e cultural na medida em que detemos um conjunto de informação, acervo e documentos sobre a relação Brasil-África, particularmente no período colonial, disse.
O diretor geral da FPC divulgou o acervo custodiado pela Fundação, a exemplo dos passaportes de escravos e Livros de Notas existentes no Arquivo Público do Estado da Bahia que tratam da compra e venda de escravos entre os séculos 18 e 20, o Guia de Fontes para a Escravidão no Brasil e das Cartas de Liberdades, documentos de lideranças no combate à escravidão e o racismo no Brasil. “Além disso, a oportunidade foi para falar de projetos como o 'Conversando com a sua História' e publicações como a 'Revista Bahia com H', no qual temos textos e documentos também sobre esta relação Brasil-Bahia-África”, frisou Zulu Araújo.
Na ocasião, o diretor da Fundação falou sobre o projeto Brasil DNA África, do qual participou enquanto consultor e sendo um dos cinco brasileiros que puderam conhecer suas origens africanas a partir de um teste de DNA. O projeto ganhou grande repercussão nacional e internacional após veiculação de matérias na BBC de Londres e no Fantástico.
“É necessário que tenhamos uma relação diferenciada com o continente africano hoje daquele lugar comum que temos tido até o presente momento. É preciso que brasileiros e - em especial – baianos, reconheçam sua ignorância em relação ao continente africano, que não é o que está posto nos livros de Geografia e dos africanos reconhecerem os afrodescendentes do Brasil como fruto de uma tragédia histórica da qual eles também tiveram participação”, enfatizou Zulu Araújo, referindo-se ao tráfico de escravos, completando ainda que se faz necessário trabalhar as relações Brasil-África para além da relação entre governos, mas estimular o intercâmbio povo-povo. “Os convidei para visitar a história da Bahia junto à Fundação, entendendo que os afrodescendentes que estão aqui não são nem serão africanos e que este processo não tem volta, está posto e precisa ser tratado com a devida seriedade do ponto de vista histórico, entendendo o que ocorreu, sem buscar culpa ou culpados, sendo solidários com os africanos e eles conosco e com nossa luta contra o racismo”, pontuou.
Cooperação – Em parceria com outros países, em especial os africanos, a Unilab tem como objetivo o desenvolvimento econômico, político e social dos seus mais de 5 mil estudantes. Tem relações institucionais com países como Angola, Cabo Verde, China, Guiné-Bissau, Moçambique e São Tomé e Príncipe, dentre outros. A Fundação Pedro Calmon/Secretaria de Cultura está finalizando os trâmites para a assinatura de Termo de Cooperação Técnica com a Unilab para a realização de palestras do curso Conversando com a sua História, além de promover o intercâmbio com escritores destes países africanos de Língua Portuguesa.
Leia aqui notícia sobre a visita de estudantes da Unilab ao Arquivo Público do Estado.
Fotos: Reinaldo Aguiar