‘Heráldica Nordestinas: marcas e ferros da Pecuária’ foi o primeiro tema do Conversando com a sua História do mês de abril, realizado nesta segunda-feira (04/04), na Biblioteca Pública do Estado da Bahia. O doutor em Medicina Veterinária e professor na Universidade Federal da Bahia (Ufba), Luciano Figueiredo, falou sobre a história da pecuária e das marcas de gado desde os tempos remotos até chegar ao Brasil. O projeto é de iniciativa do Centro de Memória da Bahia – unidade vinculada à Fundação Pedro Calmon/ Secretaria de Cultura do Estado.
“Esse tema foi e é meu cotidiano. Sempre trabalhei com o Sertão e no caminho da Agropecuária”, disse o professor, que apresentou ao público as raízes históricas do relacionamento do homem com os animais, desde pinturas rupestres de animais, ao momento que o homem começou a dominar a espécie e, posteriormente, as marcas atribuídas ao gado. “As marcas de ferro no gado começaram no Egito, depois passou pela Grécia, Roma, Espanha, Portugal, até chegar ao Brasil, pela Bahia, no Morro dos Chapéus, como era chamado”, disse o professor.
Famílias - Algumas famílias foram citadas por Luciano, como a Garcia D’ávila e a Guedes de Brito, como principais em popularizar a pecuária na Bahia. Figueiredo também apresentou ao público fotos de brasões de poderosas famílias, que deram origens às ferras de marcar os bois. “Há varias formas de fazer marcação no gado, como a marca na orelha, o brinco, a tatuagem na cartilagem auricular interna, e a ferra”, explicou ele. Os símbolos utilizados para marcar o couro dos bois também foram apresentados, bem como as suas modificações com o passar das gerações, como os da família de Ariano Suassuna e de Silvio Júlio.
O aposentado Marcos Pereira comentou que sempre que pode vai ao Conversando com a sua História: “Tenho origens sertanejas, e é sempre bom saber mais da história que há por trás do nosso povo”. Já o representante de vendas, Yuri Batista, estava na Biblioteca e resolveu assistir a palestra. “Assim que soube me empolguei para participar. É sempre importante a gente saber um pouco sobre a nossa história, principalmente se tratando do assunto de uma cultura tão forte aqui na Bahia”, ele disse. “A Bahia foi a porta de entrada da pecuária no Brasil. A marcação de bois é um bem patrimonial e, além de tudo, uma referência cultural da Bahia”, finalizou o professor Luciano Figueiredo.
Exposição
Aliada a esta palestra do Conversando com a sua História, a exposição fotográfica/documental do fotógrafo Miguel Teles ‘A Ferro e a Fogo: a heráldica do Pedrão’, foi aberta também nesta segunda (4), na Biblioteca Pública do Estado da Bahia. As fotografias e peças documentais, que retratam a cultura das marcas e sinais utilizados na ferra de gado em algumas das principais fazendas do município de Pedrão, estarão expostas à visitação ao público até 30 de abril, das 8h30 às 21h, de segunda a sexta-feira, e até às 12h aos sábados. Saiba mais aqui.