Espaços de interação, conhecimento e lazer. Eis alguns dos conceitos que configuram os novos formatos propostos para as bibliotecas públicas contemporâneas. Conhecidos como antigos corredores de livros e fontes de pesquisas, as propostas visam promover ao usuários experiências que ultrapassam as relações apenas com os livros. Os formatos inovadores previstos para as bibliotecas apresentam estruturas semelhantes aos moldes dos complexos culturais, que possibilitam acesso ao conjunto de linguagens, sensações e arte
O processo de modernização e reestruturação é algo que perpassa pelas reconstruções físicas, conceituais e simbólicas. E no caso das bibliotecas públicas, é um desafio que articula a estrutura governamental e a sociedade para construção de um plano que atenda as características da sociedade. Para a responsável pela implementação das Bibliotecas Parque no Rio de Janeiro, Vera Saboya, “é importante ver o poder público interessado em modernizar e reestruturar a Biblioteca nos moldes que merece uma biblioteca pública contemporânea”.
Vera é defensora e propositora de estruturas referenciadas em iniciativas de Medelín e Bogotá, na Colômbia, pois apresentam formatos livres e atraentes, com acesso livre aos livros, a tecnologia e acessibilidade. “As bibliotecas não são apenas espaço de pesquisa e leitura, mas de encontro, de produção cultural, criação e formação continuada, tendo acervo atualizado”, reforça Vera Saboya, superintendente de Leitura e Conhecimento na Secretaria de Cultura do estado do Rio entre 2009 -2014.
Primeiros passos – Neste sentido, a Fundação Pedro Calmon, unidade vinculada da Secretaria de Cultura, desenvolve desde o ano passado, o projeto de modernização para as bibliotecas públicas do Estado da Bahia. As primeiras a serem contempladas serão a Biblioteca Pública do Estado da Bahia, mais conhecida como Biblioteca Central dos Barris e a Biblioteca Infantil Monteiro Lobato, localizada no bairro de Nazaré.
O começo dos trabalhos se dá através da bicentenária Biblioteca dos Barris. O primeiro passo foi atendimento as demandas apresentadas no campo da estrutura e do suporte técnico, afinal já são 47 anos ocupando o mesmo prédio com cerca de 17 mil m². Paralelo a isso, foi criado um grupo de trabalho que estuda um novo projeto para a Biblioteca dos Barris, atendendo demandas físicas, conceituais e culturais. A partir das visitas e diálogos, a Fundação Pedro Calmon dará continuidade ao trabalho do GT instituído, visando a implementação e a execução das ações propostas.
Já para este ano está prevista uma aquisição de acervo com cerca de 7 mil exemplares, assim como, investimento inicial de R$ 100 mil reais para o projeto de modernização da Biblioteca dos Barris. Para o diretor geral da Fundação Pedro Calmon, Zulu Araújo, este é apenas o começo do conjunto de intervenções necessárias para reestruturar a Biblioteca. “Este é um equipamento público que precisa dialogar e atender as demandas da sociedade, associado as inovações tecnológicas e sociais”, explica Zulu, que ainda complementa “A grande missão de uma biblioteca é contribuir para a formação de uma sociedade de cidadãos capazes de processar e lidar com as informações que lhes rodeiam”.
Neste mesmo sentindo, outro projeto em andamento é o de reestruturação da Biblioteca Infantil Monteiro Lobato, que no próximo dia 18, celebrará 57 anos. A unidade localizada no bairro de Nazaré, em Salvador, promove atividades exclusivas para público infanto-juvenil. Por conta disto, iniciou os trabalhos a partir de diálogos com a sociedade civil, no sentido de planejar e articular a reestruturação necessária para unidade. A implantação da Associação Amigos da Biblioteca é uma delas. Uma associação sem fins lucrativos que atuará por tempo indeterminado na realização de ações sociais que contribuam para o melhor funcionamento da unidade.
A bibliotecária Patrícia Porto, que assumiu a direção da Monteiro Lobato no começo deste ano, ressalta que a Biblioteca deu início ao processo de revitalização e ressignificação da BIML, através de novos projetos culturais. “São ações de incentivo à leitura, implantação da Associação Amigos da Biblioteca, capacitação de mediação de leitura para funcionários. Pois, acredito que desta forma, a biblioteca além de fomentar a leitura, poderá ser mais atrativa, atuante, enfim, espaço vivo”, destaca Patrícia.
Tecnologia – Uma pauta muito presente nos projetos de modernização das Bibliotecas, é a construção de caminhos que incorporem as tecnologias atuais e é claro, com o acesso à internet. Os projetos mais novos já visam digitalização do acervo e disponibilização de redes eficazes de wifi nos espaços. Além disto, a atualização do pergamun, que atua na pesquisa a distância ao acervo das bibliotecas públicas, disponível aqui.
Neste contexto, destaca-se a existência da Biblioteca Virtual Consuelo Pondé, desde 2011. é uma biblioteca temática, especializada na história e cultura da Bahia, que abrange o diálogo com outras regiões do Brasil e de outros países. O acervo é composto por publicações digitais e virtuais, obras que se encontram em domínio público ou que foram devidamente autorizadas pelos atores para digitalização e disponibilização na web, de acordo com a Lei nº 9.610 dos Direitos Autorais.
A Biblioteca Virtual disponibiliza links e referências de outras instituições parceiras que oferecem serviços semelhantes ao nosso, ofertando aos leitores/usuários um diálogo amplo entre a produção do conhecimento e a oferta deste em ambientes virtuais e digitais no endereço http://www.bvconsueloponde.ba.gov.br/.
Sistema Estadual de Bibliotecas - As bibliotecas públicas integram o Sistema Estadual de Bibliotecas Públicas, gerido pela Fundação Pedro Calmon – Secretaria de Cultura do Estado (FPC/SecultBA). O Sistema é composto por seis bibliotecas públicas estaduais localizadas em Salvador, sendo uma delas a Biblioteca de Extensão com duas unidades móveis, uma no município de Itaparica e uma biblioteca virtual especializada na história da Bahia (Biblioteca Virtual Consuelo Pondé). O Sistema também presta assistência técnica para mais de 450 bibliotecas municipais, comunitárias e pontos de leitura, além de cursos de capacitação para os funcionários destas unidades.
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