Em dezembro de 2009 foi aprovada no Brasil a Lei nº 12.130, que institui no país o dia 19 de agosto como o Dia Nacional do Historiador, data escolhida para homenagear o historiador, diplomata, jurista, político e jornalista brasileiro Joaquim Nabuco, nascido em 19 de agosto de 1849. Com a responsabilidade de disseminar a história baiana por meio de seus diversos projetos formativos, a Fundação Pedro Calmon/Secretaria de Cultura do Estado da Bahia (FPC/SecultBa) atua por meio do Centro de Memória da Bahia (CMB), unidade da FPC/SecultBa, responsável pela preservação e ordenação de arquivos privados de personalidades públicas.
Com esta missão, o Centro de Memória também realiza exposições, seminários e cursos de formação gratuitos para pesquisadores, estudantes, professores e demais interessados em temas do período colonial e republicano, divulgando pesquisas e estudos de profissionais historiadores baianos. Exemplo disso é o curso Conversando com a sua História, tradicional, com público cativo, que reúne semanalmente, uma média de 100 pessoas interessadas nestas temáticas, em nas aulas gratuitas promovidas na Biblioteca Pública do Estado (Barris). Desde 2002, o curso já beneficiou mais de 20 mil pessoas.
O Centro de Memória da Bahia é, também, o responsável pelo Memorial dos Governadores Republicanos da Bahia (MGRB), edificação histórica que sediou durante 60 anos as decisões do Governo Estadual baiano. O Memorial abriga coleções constituídas por doações de objetos e documentos da vida privada, cotidiana, profissional e governamental que pertenceram aos governadores baianos, permitindo aos visitantes, pesquisadores, estudantes e curiosos conhecerem, sob uma ótica diferenciada, um pouco da evolução política, econômica, social e cultural da Bahia. Só em 2014, o memorial recebeu quase 37 mil visitantes. A diretora do Centro de Memória da Bahia, Jacira Primo, falou sobre a importância da profissão de historiador e das ações do CMB em prol da difusão da história da Bahia. Confira a entrevista:
FPC – Qual a importância do trabalho do historiador para a sociedade contemporânea?
Jacira Primo – O historiador é um profissional de extrema importância na sociedade por realizar a interpretação de fatos ocorridos no passado, que elucidam o processo de formação da sociedade atual, e por atuar de forma significativa nas áreas da educação, cultura, memória, patrimônio histórico e artístico.
FPC – O Dia do Historiador foi instituído há pouco tempo, apenas seis anos. De que forma você acredita que a instituição dessa data pode incentivar as futuras gerações de historiadores na Bahia?
Jacira Primo – A instituição dessa data valoriza o historiador para que a sociedade busque compreender sua história, e também para o resgate da memória do Brasil e da Bahia. A idéia é que as futuras gerações passem a conhecer a história do país, e fomentar o interesse nos estudantes através do conhecimento da sua história, e incentivando as novas gerações, os futuros historiadores a se engajarem e seguirem na profissão.
FPC – O quê o CMB representa hoje para os profissionais e estudantes de história do nosso estado?
Jacira Primo – O CMB trabalha com a preservação e disponibilização de documentos para a análise histórica do passado e compreensão do presente, além da difusão da História da Bahia. Diferente do Arquivo Público da Bahia, que traz mais arquivos institucionais e documentos oficiais, o Centro de Memória traz arquivos da vida privada e documentos pessoais doados de grandes personalidades, como Otávio Mangabeira, Roberto Santos, Aloísio de Carvalho, e como isso revela a história do estado e do país. Então, são mais de 35 mil documentos de políticos, jornalistas, cronistas disponíveis para os estudantes e profissionais de história, e também para o público em geral, tornando o CMB uma referência na área.
FPC – O CMB realiza diversos projetos que, além de difundir a História da Bahia, ainda faz um papel educacional, como os cursos Conversando com Sua História, Ensino de História da Bahia, os Ciclos de Palestras. Você acredita que esse vínculo que o setor promove entre educação e cultura contribui para a formação de uma sociedade mais consciente de sua história?
Jacira Primo - Na verdade essa é a nossa missão. Fazer com que, a partir desse trabalho, possamos trazer uma consciência para a sociedade sobre a sua história. Contribuir para um cidadão mais consciente da sua própria história, da história do seu bairro, do seu estado, do seu país através desses trabalhos que desenvolvemos. Essa é a nossa meta.