A Irmandade de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos está em festa este ano. Com uma série de palestras, reunindo historiadores e militantes negros, a Irmandade celebra seus 330 anos de resistência e luta pela preservação de uma cultura religiosa que acolheu negros escravizados. Nesta terça (11), foi a vez do diretor geral da Fundação Pedro Calmon, Zulu Araújo falar do assunto, com o tema "A Igreja do Rosário: mais que um Templo de Pedra e Madeira". A palestra antecedeu a tradicional missa, celebrada às terças-feiras a Igreja, que fica no Pelourinho. Na ocasião, Zulu falou da contribuição dada pelas Irmandades em todo Brasil, em especial a do Rosário em Salvador, para a melhoria da vida de seus membros e a sociedade em geral, com a luta de resistência à escravização. "Mais que um espaço de celebração de fé, a Irmandade foi um espaço de acolhimento daqueles que sofriam com a escravidão, espaço de solidariedade e da organização social dos movimentos de resistência e enfrentamento ao tráfico de negros", frisou. Para o prior da Irmandade do Rosário dos Pretos, a celebração dos 330 anos é um momento de grande importância. "É um momento de reconhecimento e de publicização desta memória, da história desta Irmandade, que foi e continua sendo um espaço de fortalecimento de nossa religiosidade, onde conseguimos conquistar nossos objetivos de reconciliação familiar, desorganizada pela escravidão, da conexão com uma espiritualidade maior, da nossa afetividade enquanto irmãos, enfim, um espaço que nos fez e continua nos fazendo mais fortes", enfatizou. O diretor da Fundação, Zulu Araújo aproveitou o momento para anunciar a publicação do Catálogo da Irmandade, publicação que conterá toda a história da organização religiosa, fotos, depoimentos e informações de suas ações. "Não se mantém 330 anos só com madeira, pedra e cal, mas com coragem, sensibilidade e coração. Tem sido isso que a irmandade vem fazendo, tendo como missão a conquista plena da liberdade e da igualdade, aliada à fraternidade. A Irmandade é feita disso, de carne, osso e fé", concluiu.