A pós-doutora em História e professora da Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS), Elisete da Silva, falou sobre “O Campo Religioso Brasileiro: diálogos e conflitos” nesta terça-feira (2). O encontro integrou ciclo de palestras Conversando com a sua História, de autoria do Centro de Memória da Bahia – vinculado à Fundação Pedro Calmon/ SecultBA iniciou maio com o tema sobre religião
O campo religioso no Brasil sempre foi muito plural, mesmo quando o Cristianismo era hegemônico como nos períodos colonial e imperial. De acordo com Elisete "sempre houve as religiões Xamânicas, que são múltiplas e muito amplas, assim como sempre existiu no Brasil as religiões Afro-brasileiras, o Judaísmo, Islamismo e Espiritismo”.
No entanto, dentro de toda essa diversidade cultural e religiosa ocorreram muitos conflitos. A palestrante destacou os grupos neopentecostais, conhecidos como protestantes. "Eles eram muito intolerantes com as demais religiões por desconhecer e desqualificar as outras crenças. E quando se desconhece, há desafetos, julgamentos”.
Mas nem só de conflitos a história das religiões no Brasil é formada. A professora explicou que “em dado momento chegaram no Brasil os protestantes ecumênicos que tinham uma visão bastante aberta. Mantinham com as outras religiões um debate inter-religioso”.
A mestranda em História, Vanessa Figueira, salientou a importância do evento: “esse debate é muito importante, pois percebemos que a intolerância religiosa sempre existiu, principalmente contra as religiões Afro-brasileiras. Isso fere a nossa cultura, é como se esquecêssemos de todas as contribuições que o nosso povo deu para a construção do país”.
Já o estudante de História, Elliot da Paixão, relembrou que o Brasil é multicultural e abarca diversas culturas e religiões do mundo. "O respeito a todas elas é importante para preservar a crença de cada um”, frisou.
Elisete da Silva ainda enfatizou que “é de extrema necessidade essa conversa, assim como o ensino da cultura afro-brasileira e indígenas nas escolas, para informar às pessoas que não existe só o cristianismo, mas são muitas as religiões que formam o campo brasileiro”.
CMB - O Centro de Memória da Bahia (CMB), unidade da Fundação Pedro Calmon/Secretaria de Cultura do Estado (FPC/SecultBA), tem como objetivo a difusão da história da Bahia, através da preservação e ordenação de arquivos privados e personalidades públicas, bem como a realização de exposições, seminários e cursos de formação gratuitos. Entre suas funções, é responsável pelo Memorial dos Governadores Republicanos da Bahia (MGRB), localizado no Palácio Rio Branco, no Centro Histórico de Salvador.