Responsável por guardar e manter diversos arquivos privados de interesse da história baiana, o Centro de Memória da Bahia – unidade vinculada à Fundação Pedro Calmon/ Secretaria de Cultura do Estado, possui valiosos acervos documentais de governadores e personalidades públicas. No total, os fundos somam, aproximadamente, 57.576 documentos. O acervo composto por documentos textuais e correspondências que perpassam a vida pública de João Ferreira de Araújo Pinho, é o maior do CMB, com um total de 13.072 documentos textuais.
Os documentos são relativos à atuação de Araújo Pinho como deputado provincial (1874-1875) e presidente da Província de Sergipe (1875-1878), com foco nas questões comerciais referentes às suas propriedades, articulações políticas e eleitorais referentes ao Governo do Estado da Bahia (1908-1911). O Fundo Araújo Pinho ainda possui produções intelectuais e recortes de jornais sobre o político. Os documentos foram doados por João Mauricio W. de Araújo Pinho.
A mestra em História pela Universidade Federal da Bahia, Larissa Almeida, destaca que o Fundo Araújo Pinho é um dos maiores da Bahia e é muito rico e fonte de estudos para diversos pesquisadores. “Estou fazendo pesquisa de Doutorado sobre a história da família, e o acervo é muito rico, além de recortes de jornais, manuscritos, itens impressos e iconográficos, também em materiais de cartas privadas que mostram muito da relação de Araújo Pinho com os seus familiares, como os pais, o avô, e o filho”, disse Larissa.
Araújo Pinho – João Ferreira de Araújo Pinho nasceu em 19 de junho em 1851, em Santo Amaro, e faleceu em 23 de julho de 1917, em Salvador. O político brasileiro formou-se na Faculdade de Direito do Recife em 1871, e no ano seguinte, foi nomeado promotor de sua cidade natal, exercendo o cargo até 1874, quando decidiu seguir a carreira política. Araújo Pinho foi eleito Presidente do Estado da Bahia em 1908 sob o slogan “menos política e mais administração”. Construiu o edifício do Instituto de Bacteriologia, atual Oswaldo Cruz, além um pavilhão para o Ginásio da Bahia e outro para o Asilo João de Deus. Criou o gabinete de identificação do Estado e reformou o Palácio das Mercês, transformando-o em residência oficial do governador.
As acirradas disputas políticas tumultuaram seu governo, culminando na sua renúncia em 1911, às vésperas da eleição de seu sucessor. Da sua renúncia, resultou o bombardeio da capital baiana em 1912, um dos episódios que marcaram lutas políticas entre as oligarquias provincianas durante os primeiros anos da República Velha.
Em Salvador, a Avenida Araújo Pinho, no Canela, homenageia o político brasileiro, bem como a rua que leva o seu nome em Feira de Santana.
CMB - O Centro de Memória da Bahia (CMB), unidade da Fundação Pedro Calmon/Secretaria de Cultura do Estado (FPC/SecultBA), tem como objetivo a difusão da história da Bahia, através da preservação e ordenação de arquivos privados e personalidades públicas, bem como a realização de exposições, seminários e cursos de formação gratuitos. Entre suas funções, é responsável pelo Memorial dos Governadores Republicanos da Bahia (MGRB), localizado no Palácio Rio Branco, no Centro Histórico de Salvador.