#Colóquio - Tensões e conflitos na Independência da Bahia foi o tema do terceiro dia de palestras na Biblioteca Central

05/07/2017
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Os debates sobre a Independência do Brasil na Bahia, que culminou no Dois de Julho de 1823, continuam a todo vapor na sala Katia Mattoso, na Biblioteca Central do Estado da Bahia, nos Barris. O Colóquio Guerra e Identidade: A Independência do Brasil na Bahia, realizado pelo Centro de Memória da Bahia, segue até esta quinta-feira (6).

Nesta quarta-feira (5), subiram no palco o Doutorando em História pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), Marcelo Siquara; e o Professor da Universidade Federal do Oeste da Bahia (UFOB), Lucas Junqueira, para mediarem a Mesa-redonda III – Tensões e Conflitos.

A atividade foi mediada pela funcionária da Fundação Pedro Calmon, Luciana Mota, que introduziu a palestra e aproveitou para suscitar reflexões sobre o que o Dois de Julho representa para os baianos. Na ocasião, ela leu trechos de entrevistas que realizou com funcionários da instituição.

Marcelo Siquara iniciou a Mesa com uma importante análise: “os livros didáticos são omissos, eles não contemplam a nossa história. As coisas vão muito além do brado na beira de um rio. O Dois de Julho vai além das expectativas”. Marcelo prosseguiu destacando pontos interessantes para que os espectadores entendessem no contexto da época.

“Salvador era mais conhecida como ‘a cidade da Bahia’. Isso destacava a importância econômica, administrativa, financeira e religiosa da cidade. Apesar disso, a cidade, que possuía 46 mil habitantes, não produzia seus próprios alimentos - que vinham do Recôncavo ou de outras Províncias. Isso gerou fortes disputas, como a Batalha de Pirajá, para que a cidade continuasse sendo abastecida. A fome assolava”, contou Marcelo.

Vintismo – O doutorando apresentou um fenômeno ocorrido pouco antes de se iniciarem as batalhas do Dois de Julho: o vintismo. De acordo com Marcelo, 90% da população viviam em condições precárias e a maior parte era iletrada. Mas isso não impediu que ideias que pareciam irreais até pouco tempo fossem suscitadas.

“Havia maior liberdade de circulação de ideias, como debates sobre a construção do significado de liberdade - que obviamente era diferente para o escravo, para o senhor do engenho ou para a mulher que vivia no lar; o papel das cortes; eleições; constituição; e até canções de patriotismo eram ouvidas nas ruas”, contou Marcelo.

Nessa época, surgiram panfletos, periódicos, cartas que seriam classificadas como “incendiárias”, como por exemplo, se seria pertinente que a família real voltasse para Portugal, contou o doutorando. “Os boatos também tinham impacto significativo, chegando a mobilizar tropas, impedir que as pessoas saíssem nas ruas e muitas vezes eles chegavam ao Brasil muito antes dos documentos que eram trazidos por mar”, completou.

Luta armada – O professor Lucas Junqueira retratou tópicos pertinentes para a compreensão do que era a luta armada e de como era formada as Foças Armadas Brasileiras. “Havia um contingente significativo de pessoas comuns, escravizados, ex-escravizados e pessoas negras. Nesse sentido, há também uma hierarquização racial de quem recrutava esses soldados e de quem era recrutado”.

Segundo o professor, quanto mais escura fosse a cor da pele, mais interesse surgia em recrutar aquele indivíduo para as batalhas. Paralelamente, a cor da pele também influenciava nas atividades que ele desenvolveria durante as batalhas. Apesar disso, o professor explica: “as pessoas estavam dispostas a darem a própria vida em busca de uma causa”.

O professor de História, Eraldo Paixão, compareceu ao Colóquio nesta quarta-feira. “Esse tipo de evento humaniza, atrai, resgata a história. O império digital acaba nos dizemos o que devemos ler e aprender, é tudo muito difuso. Um Colóquio sobre o Dois de Julho como esse valida, autentica e dignifica a História”, ele avaliou.

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Independência do Brasil na Bahia - A Fundação Pedro Calmon/SecultBA realiza, ao longo de todo o mês, diversas atividades por meio de suas Diretorias do Livro e Leitura, de Bibliotecas, no Arquivo Público e Centro de memória da Bahia no intuito de celebrar a Independência do Brasil na Bahia. São palestras, oficinas, debates, artigos, publicações, contações de histórias e exposições, que resgatarão a memória das lutas do povo baiano por sua liberdade.

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