#Colóquio - Segundo dia debateu permanências e atualidades dos festejos do Dois de Julho

04/07/2017
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As permanências e atualidades dos festejos do Dois de Julho foram os principais pontos abordados durante a primeira mesa-redonda do Colóquio Guerra e Identidade: A Independência do Brasil na Bahia. O evento, realizado pelo Centro de Memória da Bahia – vinculado à Fundação Pedro Calmon/ SecultBA, teve início nesta segunda (3) e segue até quinta-feira (6) na Biblioteca Central do Estado da Bahia, nos Barris.

A doutora em História Social pela Universidade Estadual de Campinas, professora da Universidade Federal da Bahia (UFBA), Wlamyra Albuquerque, destacou alguns pontos sobre como eram os festejos no século 19: 

“É importante pensar qual era a importância desse espaço urbano para a população negra da época. Era um sentido de liberdade de dizer que a rua também era negra”.

Wlamyra ressaltou que ainda é preciso identificar sentidos mais profundos do festejo, como por exemplo, o que o Dois de Julho representava para a população na época da Ditadura Militar. Sobre a festa na atualidade, ela destacou: “Ao meu ver, a festa evidencia não só nossa expectativa de liberdade, mas nossa voz de resistência”.

Resistências, disputas e conflitos

Ela continua: “é interessante perceber a importância e a urgência de pautas como a LGBT e o genocídio da juventude negra na festa. A existência desse quadro reflete questões que são flagrantes nas sociedades brasileira e baiana”. Na ocasião, a doutora mostrou fotografias de festejos no século passado e frisou algumas informações como as pessoas iam vestidas à festa, quem comparecia e etc.

O outro participante da Mesa-redonda I – 2 de Julho: Permanências e Atualidades foi o antropólogo, doutor em Antropologia Social pela Universidade de São Paulo, e também professor da UFBA, Jocélio Teles dos Santos. Em sua fala, ele salientou os constantes espaços de conflitos que o Dois de Julho representa.

“No início da festa, a participação não era tão popular, mas formada também por elites, que celebravam em locais outros, como Teatros. Durante minhas pesquisas em jornais do século 19, tentei entender o que era a participação negra e mestiça. O que era singularidade, particularidades ou conflitos”, disse o professor.

Um questionamento atual – ocorrido no último desfile do Dois de Julho – não poderia deixar de entrar em discussão. O caboclo – que usualmente aparece vestido de verde e amarelo – desfilou de branco. “Assim como tantas outras simbologias, acho que isso se introduziu como um elemento de disputa”, avaliou Jocélio.

Desfecho

No final da mesa-redonda, os participantes puderam expor comentários, fazer perguntas e reflexões. Sobre as mudanças que marcaram o festejo ao longo dos anos, a professora Wlamyra Albuquerque, destacou: “as mudanças que ocorreram na festa com o passar dos anos refletem as mudanças políticas e sociais de cada época”.

Já Jocélio, finalizou: “A festa do Dois de Julho para mim é um grande mosaico. Muitas coisas entraram e outras perderam força. Mas continua sendo uma festa composta das mais variadas formas, tendências e sentidos. Há uma carnavalização, que ocorre como em qualquer outra festa cívica na sociedade brasileira”.

O estudante João Felício falou sobre o evento: “é muito importante iniciativas como estas. As pessoas todos os anos vão à festa do Dois de Julho, mas não compreendem os fatos históricos que levaram a ela”. A historiadora Raquel Freitas destacou: “foi um debate muito enriquecedor. Saio dessa mesa com outras percepções sobre o Dois de Julho e sobre a História da Bahia de certa forma.

À noite, 19h, foi a vez da Mesa-Redonda II - Caminhos da Independência: Sujeitos e Instituições, com o Prof. Dr. Igor Gomes (IFBA) e o Prof. Ms. Moiséis Amado Frutuoso.

Confira galeria de fotos.

Independência do Brasil na Bahia

A Fundação Pedro Calmon/SecultBA realiza, ao longo de todo o mês, diversas atividades por meio de suas Diretorias do Livro e Leitura, de Bibliotecas, no Arquivo Público e Centro de memória da Bahia no intuito de celebrar a Independência do Brasil na Bahia. São palestras, oficinas, debates, artigos, publicações, contações de histórias e exposições, que resgatarão a memória das lutas do povo baiano por sua liberdade. Confira aqui toda programação. 

 

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