Escritora portuguesa dialoga com autores baianos sobre relações Portugal-Brasil na Literatura

14/08/2017
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Em sua passagem por Salvador, pela primeira vez em atividade pública, a escritora e jornalista portuguesa, Alexandra Lucas Coelho foi a convidada especial da Fundação Pedro Calmon/SecultBA para duas atividades: uma Conferência aberta ao público sobre seu mais recente livro “Deus Dará” e uma Roda de Conversa com escritores.

Após ser ovacionada pelo público em sua Conferência, no Teatro Sesc Pelourinho, no primeiro dia da Flipelô (veja aqui), Alexandra teve a oportunidade de ouvir de pessoas ligadas à Literatura aqui na Bahia sobre as relações Brasil-Portugal nesta área, e vice versa. A Roda de Conversa aconteceu no Centro de Formação em Artes (CFA/Funceb).

Com o objetivo de discutir o contexto do idioma em diversos países, nos mais variados aspectos, principalmente através da arte, a Roda foi um espaço também de escuta para a portuguesa, que pediu a reflexão dos presentes sobre, justamente, as relações entre Brasil e Portugal e como eles viam esta proximidade ou distanciamento. Ela falou, por exemplo, da obra “Gabriela”, de Jorge Amado e o impressionante número de traduções pelas quais passou o livro ao longo dos anos. “Sou absolutamente contra as adaptações. As publicações originais precisam ser respeitadas para que a essência seja mantida”, criticou Alexandra.

Presente no debate, o diretora geral da Fundação Pedro Calmon, Zulu Araújo questionou esta relação. “Não há qualquer aproximação entre Portugal e Brasil nesta área e este distanciamento se dá, principalmente, por uma opção política portuguesa. Não é apenas a sintaxe, a língua que distancia os países, mas esta política”, enfatizou. Tema bem abordado por Alexandra Lucas Coelho em sua Conferência e mais uma vez trazido para a Roda, do ponto de vista da negação de Portugal em assumir seu legado escravagista (saiba mais aqui).

A Fundação Pedro Calmon esteve na Flipelô também com outras programações, a exemplo do projeto Memórias de Leitura, que apresentou ao público, na Casa do Governo, situada no Largo do Pelourinho, relatos em vídeo de leitores sobre suas experiências de leitura. Além disso, a presença marcante da Biblioteca Móvel no Terreiro de Jesus, que levou Teatro, livros, leitura e contações de histórias a mais de 2 mil pessoas durante os quatro dias de Festa. Confira aqui a cobertura desta programação.

Fotos: Diego Santoro

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