#APEB - Antônio Olavo relembrou trajetória de Antonio Conselheiro e de Canudos

29/09/2017
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Foto: Tom França

“A guerra foi uma tentativa de interromper, destruir esse projeto. E essa tentativa teve êxito, Canudos foi destruída, só que ficou em nossa memória, em nossa lembrança e 120 anos depois nós ainda estamos a falar. Isso prova que essa iniciativa, esse empreendimento, não foi em vão, porque marcou e marcas gerações”, contou o cineasta Antônio Olavo.

Nesta quinta-feira (28), às 14h30, o Arquivo Público do Estado da Bahia, localizado na Ladeira de Quintas, Baixo de Quintas, realizou a palestra “Canudos e Antônio Conselheiro: 120 anos de História e Memória”, que marca os 120 anos do fim da guerra de Canudos e da morte de Antônio Conselheiro. A palestra, que faz parte do Projeto Com a palavra o Pesquisador, teve como palestrante o cineasta Antônio Olavo e reuniu pesquisadores, historiadores, artistas e estudantes, que participaram ativamente do evento.

“Eu me senti dentro de Canudos, um lugar mitológico, um passado sempre presente. O assunto foi muito bem elucidado, com muito amor e conhecimento. Foi contagiante, se fosse possível eu ouviria de novo”, contou o artista plástico Ed Carlos.

Antônio Olavo expôs sobre o panorama do Nordeste naquela época, a história de Antônio Conselheiro, falou sobre as expedições e as reportagens feitas na época sobre o povoado e a guerra.

“Antônio Conselheiro pode ser um exemplo para os nossos políticos que, infelizmente, não cumprem com os deveres e deixam a população a padecer. Não tenho palavras para descrever Canudos que, ao mesmo tempo em que é místico, é fantástico e grandioso em nossa história”, ressaltou o estudante de História, Leandro Ferreira

Na ocasião, o público teve a oportunidade de conhecer parte do acervo do Arquivo sobre Canudos. Nas paredes havia sete quadros do baiano Trípoli Gaudenzi, que doou as obras de própria autoria para o Arquivo. Além de documentos da coleção de Arquivos Permanentes, da seção de Arquivos Legislativos e da seção de Arquivos Republicanos.

“A exposição foi montada visando valorizar os 120 anos do final da guerra de Canudos. E é muito importante realizarmos eventos como esse que, apesar de ser um tema muito difundido hoje, ainda tem lacunas. Ter a presença de um cineasta é uma oportunidade de termos uma visão diferenciada sobre o tema”, contou Libânia Silva, coordenadora da Seção Colonial e que ajudou na montagem da exposição.

O cineasta pretende produzir outro filme sobre Canudos após concluir a produção de Revolta dos Búzios. O objetivo é comprovar que muitos sobreviveram, porque foram presos ou fugiram da guerra e que retornaram para uma Canudos destruída. Lá decidiram reconstruí-la e nela morar. O filme já tem nome, “Ave Canudos, os que sobreviveram te saúdam”.

“A palestra de Antônio Olavo apresentou a narrativa do olhar de um cineasta sobre o uso das fontes documentais relativas a Canudos . O debate sobre a guerra e o Conselheiro foi abrilhantado com a presença e participação de outros pesquisadores, como por exemplo: Professor Sérgio Guerra, Professor Nelson da Mata, Professor Roberto Dantas e Pastor Djalma Torres”, enfatiza a diretora do Arquivo Público, teresa Matos.

O Projeto Com a Palavra o Pesquisador tem o objetivo de dar visibilidade às fontes documentais custodiadas pelo Arquivo Público, a partir do relato de pesquisadores, iniciado no inicio do ano (2017). O projeto ocorre mensalmente e terá uma edição especial na Festa Literária Internacional de Cachoeira (FLICA), com o tema "Produção Literária a partir de fontes do Arquivo Público do Estado da Bahia", com o professor Vilson Caetano Sousa Junior. Confira aqui.

 

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