Na última quinta-feira (8), foram lançados os livros vencedores do Prêmio Katia Mattoso de História da Bahia. O evento ocorreu no Palácio da Reitoria da Universidade Federal da Bahia (UFBA) e teve como finalidade premiar livros e trabalhos acadêmicos que abordam a história do Estado. O Prêmio é de iniciativa da Fundação Pedro Calmon/SecultBa em parceria com a Assembleia Legislativa da Bahia (ALBA).
A premiação aconteceu no IX Festival de Livros e Autores da UFBA, uma feira de livros da Edufba, editora da Universidade. No total, foram 25 publicações concorrendo à premiação de R$ 20 mil para obra publicada; R$ 10 mil para tese de doutorado; e R$ 5 mil para dissertação de mestrado. Os vencedores das duas últimas categorias tiveram 400 exemplares (cada) publicados pela Edufba. Outros exemplares ainda serão publicados pela Editora ALBA.
Premiação - A comissão de seleção foi composta por doutores em História de universidades brasileiras, que avaliaram critérios como originalidade, erudição bibliográfica, rigor metodológico, esforço de pesquisa e criatividade narrativa. “O Prêmio Katia Mattoso de História da Bahia tem tudo a ver com a Fundação Pedro Calmon, pois é ligado à história e à memória da Bahia. Valoriza os jovens historiadores e possibilita a publicação de suas obras”, disse a diretora do Livro e da Leitura (DLL), Mariângela Nogueira.
Na categoria obra publicada, venceu a Doutora em História pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), onde atualmente é professora da Área de Estudos Africanos, Lucilene Reginaldo, com o livro “Os Rosários dos Angolas: irmandades de africanos e crioulos na Bahia Setecentista”, publicado pela Editora Alameda, em 2011. O livro aborda a história das confrarias leigas de africanos e crioulos articuladas à experiência da escravização e à do Império português.
Na categoria melhor tese de doutorado, venceu o doutor em História pela Universidade de Brasília (UnB), Clóvis Ramaiana, com a tese intitulada “Canções da cidade amanhecente: urbanização, memórias e silenciamentos em Feira de Santana, 1920-1960”. “Foi realmente muito gratificante receber o Prêmio Katia Mattoso, foi o encerramento de um ciclo multi simbólico. Quando o prêmio foi concebido, em 2012, o professor Ubiratan Castro, que foi o meu orientador de Mestrado, estava dirigindo a Fundação Pedro Calmon, então foi uma experiência que consolidou o que ele pensava sobre FPC, que deveria caminhar também para o interior do estado. Foi muito emocionante participar da premiação”, disse Clóvis Ramaiana. Dividida em duas partes, a obra do historiador, que é professor no Mestrado em História da Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS) e docente da Universidade do Estado da Bahia (Uneb), revela a construção de memórias da cidade de Feira de Santana.
Já a mestre em História pela UFBA e professora do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia da Bahia (IFBA), em Valença, Rebeca Vivas, venceu na categoria de melhor Dissertação de Mestrado, com a publicação “Relações Igreja-Estado: a ação episcopal de D. José Botelho de Mattos (Bahia, 1741-1759)”. “Foi uma honra ser premiada com esse título que leva o nome de uma representação historiográfica brasileira, eu tinha acabado de escrever este, que foi o meu primeiro trabalho acadêmico consistente e autônomo. Esse Prêmio vem a calhar, sobretudo, por uma questão geracional. Pode-se dizer que do ano 2000 para cá, houve uma explosão de estudos relacionados à Bahia e o Prêmio dialoga justamente com essa geração, já que ele parte de uma referência da antiga geração, mas contempla a nova, que produz com novos métodos, novas formas de intepretação e diálogos. Além de ser um incentivo a mais para essa nova geração, serve para demarcar nosso lugar na historiografia nacional. O Prêmio Katia Mattoso é um marco nesse sentido”, disse a historiadora Rebeca Vivas.
Katia Mattoso – Cientista política e historiadora nascida na Grécia, Kátia Mattoso recebeu o título de Doutora Honoris Causa pela Universidade Federal da Bahia, em reconhecimento à sua contribuição aos estudos relacionados à história da Bahia. Sua atuação acadêmica foi responsável pela criação da cadeira de História do Brasil da Universidade de Paris-Sorbonne, da qual foi titular. Especializou-se em história econômica e social da Bahia, e história social da escravidão no Brasil, tendo produzido obras fundamentais como: ‘Ser Escravo no Brasil’ (Brasiliense, 1982) e ‘Bahia Século XIX – Uma Província no Império’ (Nova Fronteira, 1992), entre outras.