História do Terreiro do Bate Folha foi evidenciada no Conversando com a sua História

11/10/2017
10_CSH_AmandaMoreno1
Foto: Amanda Moreno

O doutor em História Social, Erivaldo Sales, evidenciou as formas de representações religiosas e sociais do Terreiro de Candomblé Congo-Angola do Bate Folha. O evento aconteceu ontem (10), durante o Conversando com a sua História – Centro de Memória da Bahia, no Espaço Xisto.

Erivaldo estudou a atuação Terreiro do Bate Folha entre os anos de 1916 e 1946, enquanto o tata Manoel Bernadino da Paixão atuou no espaço. “Minha pesquisa busca entender as realizações entre o indivíduo e a sociedade; quais as atitudes de Bernadino influenciavam na sociedade e ao mesmo tempo quais as dinâmicas da sociedade interferiam naquele sujeito”, disse.

De acordo com o pesquisador, Bernadino foi iniciado na Nação Congo ainda em Santo Amaro da Purificação, onde nasceu, mas a sua obrigação é Angola, e esse vínculo permanece até hoje. Ele assumiu o Terreiro muito jovem, com 23 anos, e numa época em que crimes de costumes e crimes contra a moral estavam vinculados à prática religiosa do candomblé.

Na época, a polícia trabalhava com a imprensa como aliada. O pesquisador utilizou como base de pesquisa 71 recortes dos jornais Diário de Notícia, A Tarde e O Estado da Bahia. Em seis capítulos, a sua tese discorre sobre a polícia, memória e a Nação congo-angola para além dos muros do Bate Folha. No total foram 308 fontes entre recortes de jornais, teorias da sociologia, fontes impressas e legislação.

Contra a ordem moralizadora, de barulhos ensurdecedores, algazarras, bugiganga e crença diabólica, são algumas das expressões associadas à prática do candomblé utilizada pela imprensa da época. “Até mesmo o jogo do bicho era associado aos terreiros”, disse.

“Com o passar dos anos a história foi mudando. Bernadino faleceu aos 52 anos de insuficiência hepatorrenal. Os jornais dedicaram meia página para descrever o roteiro e toda a trajetória do velório, que foi do Bonfim ao Cemitério Quinta dos Lázaros. Foram lojas e comércio fechando. Para todos aqueles de algum modo faziam parte das religiões de matriz africana, foi um sentimento de orfandade”, destacou Erivaldo.

A estudante Márcia Freitas, foi ao Conversando com a sua História pela primeira vez: “me interesso muito pelo tema de religiosidade, principalmente de matriz africana. Vir aqui hoje e saber a história de um dos terreiros mais importantes da Bahia foi esclarecedor para mim enquanto pessoa e futura historiadora”.

CMB - O Centro de Memória da Bahia (CMB), unidade da Fundação Pedro Calmon/Secretaria de Cultura do Estado (FPC/SecultBA), tem como objetivo a difusão da história da Bahia, através da preservação e ordenação de arquivos privados e personalidades públicas, bem como a realização de exposições, seminários e cursos de formação gratuitos. Entre suas funções, é responsável pelo Memorial dos Governadores Republicanos da Bahia (MGRB), localizado no Palácio Rio Branco, no Centro Histórico de Salvador.

Galeria: