Samba de Roda em Salvador foi destaque no Conversando com a sua História

18/10/2017
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Foto: Amanda Moreno

As lutas pela afirmação de uma cultura afro-brasileira representada pelo samba de roda em Salvador foram destaque no Conversando com a sua História de ontem (17), que recebeu a mestra em História Social, Alessandra Carvalho da Cruz. A historiadora fez uma análise a partir da interpretação de canções, memórias e a forma como esses sujeitos eram vistos e representados pela imprensa na entre os anos de 1930 e 1950.

“O Brasil é representado no mundo inteiro pelo seu gênero musical samba. Este, por sua vez, pode ser visto também como um sinônimo de luta e reafirmação de identidade cultural para um observador mais atento. É perceptível um vínculo político muito forte nessa cultura do samba de roda”, observou Alessandra.

Algumas imagens e quadros foram apresentados pela historiadora que destacou detalhes marcantes nas pinturas como a presença do elemento percussivo, a capoeira e a importância do samba de roda para a formação dessa cultura que hoje conhecemos como baiana.

Sua pesquisa se embasou também na análise de discursos publicados nos jornais da época. “A repressão policial e a tentativa de desafricanização dos costumes é marcante no início do século XX. Havia um esforço muito grande de Getúlio Vargas e outros intelectuais para ceifar o samba da imagem do Brasil. Mas a música já tocava nas rádios, era o que a massa queria escutar”, contou a historiadora.

Nos recortes de jornais, ela percebeu que havia uma criminalização do ato de se fazer “ajuntamento para o batuque a qualquer hora”. Além disso, expressões como “batuque infernal”, “música monstruosa” e “batuque de macumba” eram comumente usadas. “Foi uma época de tentar afastar o período de escravização e importar a ‘civilização’”, explicou.

Alessandra ainda que conta que: “houve um investimento muito grande de Vargas para que a música erudita se tornasse o gênero nacional. Um movimento modernista, com forte influencia de Villa-Lobos, tinha a intensão de ‘colher’ a melodia nos rincões da música popular para apresenta-la dentro dos moldes eruditos e de orquestra. Até mesmo alguns instrumentos eram usados como a cuíca”.

A estudante de história Marieta Silva conta que costuma ir ao Conversando com a sua História sempre que há uma familiaridade com o tema: “eu tenho uma relação muito forte com o samba, o meu pai é músico, então desde criança me vi nas rodas. É importante vermos pesquisas desse tipo porque não é só brincadeira, dança, zoada, baderna, é também uma representação política e de identidade”.

CMB - O Centro de Memória da Bahia (CMB), unidade da Fundação Pedro Calmon/Secretaria de Cultura do Estado (FPC/SecultBA), tem como objetivo a difusão da história da Bahia, através da preservação e ordenação de arquivos privados e personalidades públicas, bem como a realização de exposições, seminários e cursos de formação gratuitos. Entre suas funções, é responsável pelo Memorial dos Governadores Republicanos da Bahia (MGRB), localizado no Palácio Rio Branco, no Centro Histórico de Salvador.

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