#BatePapo Jade Bittencourt: a poeta que transforma os encontros em arte

06/06/2020
Jade Jun
Foto: Juh Almeida

 

28 de junho é o dia mundial do orgulho LGBTQI+. Em celebração, a Fundação Pedro Calmon (FPC/SecultBA) desenvolve uma série especial de reportagens, onde apresenta o trabalho de 5 escritores da sigla. 

Poeta dos encontros, Jade Bittencourt começou a escrever ainda na infância. Mas foi na adolescência que esse hábito se mostrou fundamental para compreender e lidar com os dilemas e dificuldades que uma jovem lésbica enfrenta.

"Escrever foi uma consequência de ser quem sou, então não sei ao certo o momento exato que a escrita despontou. Reconheço que na adolescência a escrita tomou uma relevância de saúde de fato, porque foi nesse período que percebi a impossibilidade temporária de falar sobre amor da maneira como eu o sentia”.

Ela conta que sua família é muito envolvida com a arte e, por isso, sempre esteve em contato com a literatura. "Minha mãe sempre fez questão de cuidar para que eu acessasse literatura, mesmo sem muita grana. Meu pai é músico e também ama ler e ambos davam um jeito de fazer com que livros chegassem até mim". 

Na adolescência, a instituição em que estudava foi, também, uma motivação para escrita. A poeta conta que o colégio era conservador e que “sentir como eu sentia (amar outras mulheres) não era exatamente naturalizado”. Nessa fase, a escrita passou a ter um papel terapêutico. “Para não sufocar no segredo, no medo do que diriam, na culpa, na sensação de erro a escrita era uma trilha pra me ajudar a entender meus passos", conta a escritora.

Hoje, Jade tem esperança que seus poemas ajudem mulheres lésbicas a lidar com as imposições sociais e dificuldades que encontram. "Acredito que enxergar nossos desafios, dilemas, sonhos, narrativas na voz de outras pessoas só fortalece nossa identidade. Nos sentimos em conexão e mais prontas para enfrentar as contradições sociais desse mundo ainda tão lesbófobico".

Considerar-se “poeta dos encontros” está relacionado com a sua maior inspiração para escrever. Ela explica ter em suas poesias os encontros como tema central por ser  onde “ o novo acontece [...] é o fluxo que propõe a vida”.

Novas Leituras - Entre a rotina de professora de espanhol, astróloga e microempreendedora, a escritora já lançou dois livros "tinkuy" (2018) e "amares interrompido" (2019). Atualmente, a poeta está com um projeto de zines ainda na fase inicial e vê nas plataformas digitais um meio para disponibilizá-los. Jade também utiliza uma plataforma de newsletters para enviar seus escritos para seus leitores, mas admite não conhecer muito bem as possibilidades do meio digital. "Ainda estou aprendendo como usar as ferramentas digitais na minha carreira literária, esse recurso (newsletters) descobri através da poeta amiga Maria Luiza Maia e gostei bastante do formato amplo de possibilidades".

Ela acredita que essas plataformas facilitam o acesso a narrativas de pessoas LGBT dentro da literatura e, por isso, também mantém um IG no Instagram exclusivo para postar seus poemas, @rosmarinus.poesia. Mas ela destaca que há muito a ser feito no que se refere a facilitar acesso a literatura. A escritora explica que nem todas as pessoas têm internet amplamente disponível e, além disso, ela considera que os algoritmos não ajudam muito, uma vez que criam uma bolha de conteúdo. “Reconheço que da minha adolescência pra cá isso já está diferente, o que é ótimo. Mas pode ficar melhor. Muitxs escritorxs estão disponibilizando nas redes seus escritos, isso alimenta um pouco as trocas e nessa vida de gerir a carreira literária nos torna visíveis também".

Durante a conversa, Jade indicou a leitura das produções intelectuais e literárias de Tatiana Nascimento e o livro "Girassóis estendidos na chuva" de Louise Queiroz, ambas escritoras importantes em sua trajetória. Além de também indicar os livros de Maria Luiza Maia, já anteriormente citada, e Deisiane Barbosa, escritora que são suas inspirações pela maneira que conduzem suas carreiras literárias.

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