Projeto Violão e a Palavra estreia com grande sucesso na Flica

16/10/2016
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Violão, politica, palavra, humor, cultura e o cenário social da América Latina e da África foram alguns dos assuntos abordados na programação da Fundação Pedro Calmon/SecultBA deste sábado(15), na Flica. O destaque foi estreia do projeto O Violão e a Palavra com os santoamarenses Roberto Mendes e Jorge Portugal e a mediação de Saulo Matias Dourado.

 O evento foi realizado a céu aberto, reunindo centenas de pessoas na Praça da Aclamação. A conversa entre os dois “velhos companheiros de jornadas”, conforme descrição apresentada pelo secretário Jorge Portugal, deixou o público presente encantado como tanta harmonia. “Sabia da relação deles com a escrita, mas não sabia desta sincronia letrada e musicada que eles possuem. Lindo de se ver” confessa a pedagoga Regina Reis, que assistiu tudo bem de perto. Na oportunidade, Roberto Mendes, acompanhado do violão fez o tom para algumas músicas contadas e cantadas, entre composições individuais, da dupla e com outros parceiros. Estas músicas foram ecoadas e aplaudidas pelo público presente.

O diretor geral da Fundação Pedro Calmon/SecultBA assistiu tudo de perto e aproveitou para informar que esta é a primeira edição de outras que virão. Ele ainda acrescenta que “O Violão e a Palavra é isso. Uma conversa, um bate papo sobre a relação das palavras e da música, visando estreitar o diálogo entre as pessoas e a leitura”. Mas, antes de assistir o encerramento da programação da FPC na Flica, o diretor geral da FPC mediou outras duas mesas, que ocorrerão no Convento.

Com o tema “Histórias de Humor Sutil, Micromundos Familiares e Fratura Generalizada”, a mesa gerou a discussão de temas relevantes, de uma forma irreverente apresentada. Falando um pouco sobre sua carreira, Vásquez explicou sobre o quão distintas são as formas de ver o mundo por um romancista e um cronista. "Um romancista escreve porque não sabe e tem muitas duvidas e incertezas. Já o colunista é alguém que tem certeza e segurança do que esta escrevendo.", explicou o colombiano.

Já Prata destacou a maneira como o humor irônico é utilizado por ambos os escritores, ressaltando que o maior problema dos brasileiros é o entendimento sobre o humor. "É tão curioso que as pessoas no Brasil estão tão preocupadas com a liberdade dos humoristas e não com o poder corrosivo que o humor pode ter”, conclui Prata. Durante a mesa, foram apontadas as várias semelhanças entre o Brasil e a Colômbia dentro do contexto da América Latina durante a conversa. Zulu Araújo explicou que estas semelhanças jamais serão apenas coincidências, frisando a necessidade dos brasileiros em aprenderem com seus irmãos latinos, citando as bibliotecas de Medelín, na Colômbia, como bom referencial. “Queremos transformar o conceito das bibliotecas em um projeto semelhante. Em Medelín foi algo fantástico, um espaço de literatura em que nasceu uma das experiências mais impressionantes. Nossa juventude precisa ler para entender melhor a nossa historia", defendeu o diretor geral da FPC.

Mais tarde, Zulu Araújo participou da quarta mesa do sábado na Flica, assumindo pela segunda vez no dia, a função de mediador. Desta vez, com o tema “Entre Cidades Atlânticas”, os antropólogos Kabengele Munanga e Goli Guerreiro conversaram sobre aspectos da diáspora africana no Brasil e as relações dos povos, destacando pontos culturais e sociais. O professor Munanga, que é um imigrante da terceira diáspora africana, contou sobre suas experiências ao vir para o Brasil e as relações de xenofobia e racismo sofridos pelos negros durante suas diversas diásporas.

O antropólogo falou sobre a xenofobia como algo diretamente ligado ao racismo, e não somente pela questão ideológica.  Ele também falou sobrea a terceira diáspora africana dando seu relato de vida, até morar no Brasil.  “Saí do meu país por conta de conflitos e guerras civis que teriam me matado se eu tivesse ficado. Fui ao Brasil em busca de melhor condição de vida e pela sobrevivência. Perdi parentes e encontrei um outro Brasil onde poderia conseguir viver como um intelectual. Hoje já tenho minha raízes brasileiras e não saio mais”, relatou.

Entre muitos assuntos, Goli resumiu a diáspora: “Hoje, as diásporas estão em curso. Migramos fisicamente, vamos para outras cidades, nossas roupas e objetos são de diferentes lugares, vamos fazer presença em outros territórios e nos deslocamos virtualmente. Esses processos são muito dinâmicos e diferentes em cada corpo”, explicou. Segundo ela, as diásporas se tornaram cada vez mais dinâmicas e nos permitem ter outra visão da cultura africana, uma vez em que podemos acessar materiais positivos sobre a cultura. “É possível, agora, falar da força da cultura africana, sua produção cultural criativa e potente e ir contra a tentativa que se há de apagar da história do continente tudo que é considerado culto”, acrescentou a autora baiana.

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