Muito além de cuidar, organizar e arquivar os documentos, os arquivistas têm a função de lidar e transmitir essas informações, sendo responsável pela sua projeção junto à comunidade. Os arquivistas compreendem os registros da sociedade que estão inseridos, suas recordações e memórias que contribuem para a construção da identidade e da história. Catalogar, digitalizar, estabelecer critérios e planos, além de transferir e recolher documentos, são algumas das atividades do profissional que realiza a arte de guardar documentos.
A Fundação Pedro Calmon contribui, principalmente, para a preservação da história e memória da Bahia, incentiva a constituição da identidade do baiano, e sem os arquivistas, esse trabalho não se concretizaria. Ana Claudia Cupertino há três anos é arquivista do Arquivo Público do Estado da Bahia (APEB) – vinculado à Fundação Pedro Calmon/SecultBA. Formada em Arquivologia, ingressou na primeira turma curso implantando em 1998 na Universidade Federal da Bahia (UFBA). “Eu presto assessoria técnica aos Arquivos Públicos Municipais da Bahia com a finalidade de estimular a criação, implantação, qualificação, manutenção e expansão dos serviços, visando assegurar a preservação e a democratização do acesso à informação arquivística em todos os Territórios de Identidade do Estado da Bahia”, disse Ana.
Formado em Arquivologia pela UFBA, Eduardo Witzel trabalha na sessão dos arquivos intermediários do APEB há seis anos: “Atendo à documentação de acesso restrito da Secretaria de Segurança Pública e hospitais, que não são abertos ao público geral e só podem ser acessados por pessoas autorizadas. Faço tratamento documental, por meio da higienização, inserção dos documentos no sistema informacional”. Eduardo também auxilia o atendimento externo a cidadãos, pesquisadores e órgãos públicos do Estado, orientando como os arquivos devem ser guardados.
Saber avaliar a relevância dos documentos e objetos que manipula, de diferentes épocas históricas, ter bom senso de organização e olhar crítico, são algumas das habilidades que estes profissionais devem ter. “O arquivista resgata a documentação do passado, a organiza para dispor ao público de uma forma que ele possa entender e pesquisar”, diz Eduardo. Ana Cupertino também fala sobre a importância do trabalho do arquivista: “O arquivista é um Gestor da Informação e tem entre suas atribuições, fazer a gestão documental e auxiliar na proteção dos documentos de arquivos, sendo estes instrumentos de apoio à administração, à cultura, ao desenvolvimento científico e como elementos de prova e informação”.
Arquivo Público – Com 126 anos, o Arquivo Público do Estado da Bahia (APEB), unidade da Fundação Pedro Calmon/Secretaria de Cultura do Estado (FPC/SecultBA), é a segunda mais importante instituição arquivística pública do país. Em seu extenso e rico patrimônio estão custodiados documentos produzidos e acumulados no período colonial, monárquico e republicano brasileiro, que são diariamente consultados por pesquisadores de todo Brasil e de outros países. Um acervo organizado e estruturado desde 1890, quando o então governador do Estado da Bahia, Manoel Victorino Pereira, por meio de Ato, criou o Arquivo Público.