Deu samba na Biblioteca Pública do Estado da Bahia, conhecida como Biblioteca dos Barris. Na segunda-feira (5), os músicos Nelson Rufino e Juliana Ribeiro falaram sobre sua trajetória na música, e versaram sobre o tema “O samba da minha Terra: Música e Identidade Baiana”, no projeto que é de autoria do Centro de Memória da Bahia – vinculado à Fundação Pedro Calmon/ SecultBA.
A trajetória do cantor e compositor, Nelson Rufino, iniciou nas quadras das escolas de samba de Salvador, precisamente da Escola Filhos do Tororó, onde foi premiado no 1º Festival de Samba de Quadra, com a música “Veneno”. Com vontade de alçar voos mais altos na música, e deixar de fazer “samba de meio de ano”, Nelson foi para o Rio de Janeiro, quando teve sua primeira música gravada: “Alerta Mocidade”, na voz de Eliana Pitmann.
“De repente, o cara que sonhou com futebol sentiu saudades da mãe, enquanto estava no Rio de Janeiro, na década de 1960, e escreveu sua primeira música, gravada por Eliana Pitmann. Eu sou oriundo de escola de samba. Se o samba tem 100 anos, eu já tenho 51. Eu faço parte da maratona do samba da minha terra”, disse Rufino.
Representando a nova geração do samba, a cantora, compositora e historiadora, Juliana Ribeiro, também falou sobre sua carreira musical: “eu comecei na música pensando que ia ser atriz, até que fui para um show de Ney Matogrosso, e aquilo me transformou, decidi que queria fazer aquilo da minha vida. Entrei numa banda, onde compúnhamos em cima de ritmos brasileiros, como o maracatu, ijexá e o samba de roda”.
Em reconhecimento à sua grande extensão vocal e timbre marcante, Juliana foi indicada ao Troféu Caymmi, 2007, na categoria Cantora Revelação. “Foi quando eu comecei a minha carreira solo, sempre trazendo referências de músicas, de ritmos, de culturas. A história é interligada ao meu trabalho, a pesquisa está sempre presente”, disse Juliana.
“É uma oportunidade de conhecer duas grandes figuras do samba da nossa terra. Saber mais sobre eles e conhece-los de perto. O samba é intrínseco ao povo brasileiro, faz parte da nossa história”, disse a musicista Adriana Peixoto. O historiador Marcos Queiroz, disse que: “são duas grandes vozes e dois grandes compositores na nossa cidade que merecem todo respeito e atenção, porque eles representam nossa cultura viva”.
“O samba é um ritmo brasileiro por excelência, se constitui a partir de relações híbridas, por conseguir falar a partir de vários lugares, para vários outros lugares. O samba sempre se comunicou com instâncias sociais diferentes, não se tornou algo específico de um lugar apenas. Chega nas instâncias mais abastadas e mais ricas, tem essa força que não é algo que a gente só canta, a gente vivencia”, descreveu Juliana.
Nelson Rufino aproveitou para falar sobre suas principais referências: “Dorival Caymmi, Batatinha e João Gilberto, são minhas inspirações. Imagina, o samba só tem 100 anos, e naquele tempo eles já faziam coisas extraordinárias. O samba é dedutivo, é resultante, é subsídio da dor do canto”.
CMB - O Centro de Memória da Bahia (CMB), unidade da Fundação Pedro Calmon/Secretaria de Cultura do Estado (FPC/SecultBA), tem como objetivo a difusão da história da Bahia, através da preservação e ordenação de arquivos privados e personalidades públicas, bem como a realização de exposições, seminários e cursos de formação gratuitos. Entre suas funções, é responsável pelo Memorial dos Governadores Republicanos da Bahia (MGRB), localizado no Palácio Rio Branco, no Centro Histórico de Salvador.