Cem anos de samba: Fundação Pedro Calmon homenageia grandes sambistas da Bahia

02/12/2016

Quando se fala em Brasil, o samba é uma das primeiras coisas que vem à cabeça das pessoas. Nascido do encontro de rituais de descendência africana como a capoeira, com instrumentos europeus como a viola e pandeiro, o samba completa 100 anos. O centenário culmina no Dia Nacional do Samba, celebrado nesta sexta-feira (2). A data foi escolhida por um vereador baiano, em 1940, para homenagear a primeira vez em que o compositor Ary Barroso visitou a Bahia.

Mesmo sendo um gênero musical resultante de estruturas musicais europeias e africanas foi com os símbolos da cultura negra brasileira que o samba difundiu-se pelo território nacional. Os negros escravizados no país trouxeram seu ritmo e cultura que gerou diversas vertentes do gênero musical, como o samba-canção, partido alto e o samba de quadra. Na Bahia, originou-se o samba de roda, considerado Patrimônio da Humanidade pela Unesco, em 2005.

A Bahia é o celeiro de grandes nomes do samba, como Dona Edith Oliveira Nogueira, mais conhecida como Dona Edith do prato, que faleceu aos 94 anos em 2009. Moradora de Santo Amaro da Purificação, do Recôncavo baiano, ficou famosa por usar um prato e uma faca como instrumentos. Dona Edith gravou seu próprio CD aos 86 anos de idade, com patrocínio do governo do Estado.

O sambista e compositor, Nelson Rufino, grande nome nacional e autor de sucessos como “Todo menino é um rei” e “Verdade”, nasceu em Salvador, onde iniciou sua carreira musical nas Quadras de Escolas de Samba de Salvador. Nelson Rufino ainda é responsável pela continuação do samba no Carnaval de Salvador por ter criado os blocos de samba Alerta Geral e Amor e Paixão. “Chegou um tempo em que a Escola se espremia na avenida para um grande trio passar. O que fiz, foi colocar o samba no seu devido lugar em Salvador, pois ele já tem o seu lugar no recôncavo”, disse Rufino.Outro soteropolitano do bairro do Garcia é Clementino Rodrigues, mais conhecido como Riachão, que completou 95 anos. “Cada macaco no seu galho” e “vá comorar com o diabo” são suas músicas mais conhecidas.

Mas também tem mulher no samba. E, com um repertório de cantigas e sambas de roda, o grupo cultural As Ganhadeiras de Itapuã surgiu em 2004 nos terreiros das casas de Dona Cabocla e Dona Marinha, motivadas pelo interesse de fortalecer a identidade cultural do bairro. O grupo atua no fortalecimento das festas populares do barro e leva a cultura de Itapuã para outros lugares do Brasil e do mundo.

Para encerrar, vale destacar Edil Pacheco. Nascido em Maragogipe, o compositor e violonista baiano, Edil é outro grande nome do samba na Bahia. “Fim de tarde”, por Eliana Pitman; “Alô madrugada”, por Jair Rodrigues; “Siriê”, por Fafá de Belém; e “Ijexá, Filhos de Gandhi”, por Clara Nunes, são alguns dos seus grandes sucessos gravados por artistas de renome. Com uma longa trajetória dedicada ao samba, o cantor e compositor Walmir Lima, com 85 anos, é referência para o samba nacional e um dos maiores sambistas vivos da Bahia.

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