O diferencial da premiação do III Concurso de Escritores Escolares este ano foi a participação das personalidades no mundo das letras e da educação. A presença destes deu tom diferenciado e fortaleceu a entrega dos prêmios aos 24 selecionados, na Cerimônia ocorrida no último domingo (18), no foyer do Teatro Castro Alves. Assim como para os jovens escritores que puderam interagir com algumas referências, também foi uma honra para os convidados participarem da premiação.
É o que conta o cartunista, designer e escritor Nildão: “fiquei muito sensibilizado em ver que uma grande parte das pessoas que estavam ali eram populares, e estavam orgulhosas de estarem com suas famílias. Quando fui entregar o certificado e o prêmio do Guilherme, pensava que seria um adolescente, mas era um garoto. Fiquei emocionado com uma iniciativa tão bacana, e com as inscrições que cresceram absurdamente de um ano para o outro. As mulheres tiveram uma participação gigantesca e isso me chamou atenção, assim como um número maior de escola pública. Ficou claro também a importância de uma professora, de um mestre que incentiva esses jovens. Uma premiação dessas é importante porque é um reconhecimento primeiro”.
Para a educadora, escritora, compositora e cordelista, Mabel Veloso, não faltaram qualidades a serem destacadas no Concurso: “É louvável essa ideia e fiquei muito feliz de ter participado. Todos eles são muito merecedores e o resultado foi muito interessante e positivo. Espero que continue e cresça cada vez mais a cada ano”.
O historiador e considerado referência em história e na abordagem da escravidão no século XIX, João José Reis, também participou da premiação. “Esse concurso incentiva os garotos e garotas a escreverem, incentiva os professores a ensiná-los e incentiva a família a incentivá-los a escrever. O concurso revelou que a orientação dada pelos professores de escolas públicas, revelou temáticas sociais como machismo, racismo e homofobia”.
Outra importante personagem no campo da educação é o vice-reitor da Universidade Federal da Bahia (UFBA), Paulo Miguez, que destacou que “essa premiação é um dos fatos mais importantes das atividades da FPC, na medida que tem um olhar atento no livro e na leitura, especialmente num país onde temos poucos leitores. Esse concurso dá conta de formação de leitores e escritores e justificam plenamente o esforço de premiação. São gestos dessa natureza que poderão contribuir para que mais a frente teremos um país com mais leitores e escritores”.
Nesta mesma linha, a cantora Jussara Silveira conclui que “é um premio de literatura superimportante. Naquela tarde se falou muito do professor, da família e das instituições. Um projeto como esse da FPC tem que continuar e ser subsidiado. É bom que se tenha atenção sobre uma ação como essa de promover leitura e o concurso incentiva os jovens a lerem mais. Ninguém constrói saberes e reflexões sem ler. Foi gratificante ver que, mesmo o país estando como está, a gente pode ir em frente, pode sonhar. Ações como essa me fazem crer que o Brasil pode se tornar um país de leitura, de crianças sendo educadas”.
O poeta Anderson Shon também é professor de redação e, inclusive, teve uma aluna premiada no Concurso. Ele destacou que “foi um sentimento de gratificação de poder entregar o prêmio e de saber que o meu trabalho esta surtindo efeito. É fenomenal, renova a esperança você ver um monte de guri preocupado com a literatura e com assuntos que nem dizem respeito a eles ainda. São jovens escritores bem promissores”.
A presidente da Academia de Letras da Bahia, Evelina Hoisel, foi outra personalidade importante na entrega da premiação: “Foi emocionante entregar aquele prêmio. É um projeto que incentiva não apenas a escrita criativa, mas a leitura e que precisa ter continuidade. Parabenizo a iniciativa da FPC e de todas as pessoas que participaram. É um projeto audacioso, afinal de contas receber aquela quantidade de textos para ler, avaliar e premiar. O momento da premiação também é importante, pois eles já começam desde cedo a participar de um evento literário e tudo isso os incentiva”.
Fotos: Rubia de Oliveira/ AscomFUNDAC e Jamile Menezes/ AscomFPC